“Quero que eles aprendam”, diz aluno do ITA que protestou em formatura

  • Por Jovem Pan
  • 22/12/2016 10h42
Talles de Oliveira Faria

Os dados levantados por uma jornalista em seu Trabalho de Conclusão de Curso revelam algo bem conhecido da rotina acadêmica: a expansão do ensino superior vem acompanhada de grande evasão escolar.

Ou seja, muita gente entra mas, ao longo do caminho, as pessoas vão ficando. Os motivos vão desde dificuldades financeiras, até mesmo, de adaptação.

Agora imagina se você é um estudante homem, gay, e está em um dos mais prestigiados e concorridos curso de ensino superior do País: o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o ITA.

“Se você entra nesses lugares pergunta quem são os LGBTs daqui, e você não enxerga ninguém. Porque todos eles estão camuflados para poderem continuar lá. Os que se revelam acabam sendo expulsos, como foi o meu caso”. Este é o Talles de Oliveira Faria que no último sábado (17) colou o grau no curso de Engenharia da Computação no ITA.

Ao ser chamado na cerimônia para receber o diploma, o Talles, arrancou a beca, rodopiou e ficou de vestido curto, salto plataforma e maquiagem.

O vídeo viralizou, e a polêmica também. De um lado, gente que dizia ser um absurdo o aluno se portar desta forma em uma cerimônia solene. Do outro, o apoio de quem também acha que está na hora de mudar, que não dá mais para fingir que não existem gays e lésbicas dentro das Forças Armadas.

Depois de uma série de processos disciplinares, que incluíram até postagens dele em redes sociais, o Talles, que era militar, teve que se desligar da Força Aérea.

“Os militares acharam um absurdo eu fazer esse tipo de coisa. Eu quero que eles aprendam com isso e mudem de atitude, sejam inclusivos com alunos LGBTs”, contou.

A Aeronáutica nega que tenha perseguido o ex-estudante por causa de questões ligadas a sexualidade dele.

A instituição informa que todos os militares e funcionários civis do Comando da Aeronáutica estão sujeitos às mesmas obrigações, e que as transgressões cometidas pelo então aluno são passíveis de punição e se aplicariam a qualquer militar.

*Informações da repórter Helen Braun