Recurso para aposentadoria “não vem de caixa preta misteriosa”, diz Meirelles

  • Por Jovem Pan
  • 12/09/2016 12h45
Fotos Henrique Meirelles - ministro da Fazenda - EFE

O ministro da Fazenda Henrique Meirelles disse que reforma da Previdência deve ser enviada ao Congresso ainda em setembro. O ministro afirmou que “estão sendo finalizadas as questões fundamentais”, mas “já se tem uma ideia geral” das mudanças de regras na aposentadoria propostas pelo governo Michel Temer.

Meirelles explicou que “a ideia é de que exista um período de transição” entre os antigos e novos ordenamentos e a idade-limite para essa transição “está sendo discutida”.  “Até uma certa idade, as pessoas já passam a ter o seu regime vigorando pela nova Previdência”, explicou o ministro. Já quem tiver passado dessa idade deverá enfrentar mudanças mais amenas. Para estas pessoas, “o mais provável é que haja uma extensão do tempo de aposentadoria que ainda falta”, disse.

A idade mínima para se aposentar a ser apresentada pelo governo será “de 65 (anos), o mais provável”, antecipou também Meirelles.

“Caixa preta”

O ministro de Temer defendeu a necessidade da mudança nas regras previdenciárias e citou o risco de o governo não conseguir pagar mais seus beneficiários no futuro.

“É importante se mencionar e levar à população que o recurso para o pagamento da aposentadoria não vem de uma caixa preta misteriosa, mas da própria população que está trabalhando e contrubuindo para o pagamento não só daqueles que estão aposentados, mas do futuro”, afirmou Henrique Meirelles em entrevista exclusiva a Denise Campos de Toledo, no Jornal da Manhã da Jovem Pan desta segunda-feira (12).

“O mais importante até do que a idade em que a pessoa vai aposentar, é a segurança de que ele ou ela vão receber a aposentadoria, porque esse é um risco que não está sendo divulgado”, preocupa-se. “Já existem diversos países em que houve a insolvência da Previdência e o Estado não teve condições de cumprir suas obrigações”, citou o ministro.

Meirelles também defendeu que a reforma seja “objeto de um amplo debate com a sociedade e ampla divulgação, colocando claramente que o atual regime previdenciário brasileiro é insustentável”. Ele argumenta: “um regime de Previdência não pode ser estático no tempo, como se o mundo não mudasse”.