Relação entre velocidade e mortes nas marginais está equivocada, diz Doria

  • Por Jovem Pan
  • 05/10/2016 09h28
O Governador Geraldo Alckmin , acompanhado de Dona Lu, Alaide Quercia, chega para inauguracao da Ponte Estaiada Orestes Quercia, que contou com a presença do Vice Presidente Michel Temer. Local: São Paulo/SP Data: 27/07/2011 Foto: José Luis da ConceiçãoMarginal Tietê - José Luis da Conceição/ GOVESP

O prefeito eleito João Doria Jr (PSDB) voltou a afirmar que não reverá sua decisão de fazer a velocidade nas marginais Tietê e Pinheiros retornar aos 90 km/h no início de seu mandato. A redução foi adotada pela gestão petista de Fernando Haddad e apoiada por ONGs, que afirmam que a medida reduziu o número de mortes no trânsito. 

“As pessoas têm direito de ter discordância. Não tenho compromisso com o erro. Não há problema em rever posição, mas neste momento está mantida a promessa. As marginais terão sinalização, sinalização eletrônica, e será ampliada a educação no trânsito. Não quero fazer críticas, mas a Prefeitura não fez isso”, disse o tucano em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã.

A mudança, no entanto, serve apenas para as marginais de São Paulo. Ruas internas e vias como Avenida Paulista e Av. 23 de Maio continuarão com as velocidades impostas na gestão Haddad.

Índice de mortalidade

Segundo dados do Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo (Infosiga), o número de mortes por acidente de trânsito caiu na cidade de São Paulo – percentualmente, três vezes mais que no Estado.

A queda na capital é de 16,7% de janeiro a agosto deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Mas, afirma Dória, as marginais não se enquadram nessa análise. Segundo o tucano, técnicos constatam que não há relação entre a redução de velocidade e o número de mortes nessas duas vias – embora tenha “virado uma síndrome” dizer o contrário. Sobre a Tietê e a Pinheiros, ele destacou: “São vias expressas. Você não atravessa a marginal. Precisamos vetar que vendedores ambulantes fiquem ali”.

“Indústria da multa”

João Doria Jr criticou a falta de sinalização em algumas vias e disse que fará sua fiscalização. “Os casos são inúmeros”, disse em relação ao número de recursos contra multas. “A indústria, a volúpia pela multa vai acabar. Vamos ter fiscalização, mas sem a determinação de multar”, completou.

Ele voltou a defender que a Guarda Civil Metropolitana deixe de cumprir fiscalização de trânsito para “vigiar a cidade”.

Congestionamento na cidade

Doria disse que é preciso devolver à CET sua função original. “Vamos valorizar a CET, ter um enorme respeito pela CET. Ela foi criada para funcionar como engenharia de tráfego e com o tempo foi perdendo suas funções. Sua valorização foi deixada meio de lado”, disse.

A arrecadação com multas em São Paulo deveria ter servido, segundo Doria, para equipar melhor a CET.

Uber x Táxi

O tucano manteve sua posição favorável aos aplicativos, mas ressaltou que não se pode desrespeitar o valor e importância dos taxistas.

“É um tema que precisa ser tratado com cuidado. Temos que melhorar a economia como um todo e São Paulo tem que ajudar. Vamos ter mais clientes tanto para Uber quanto táxis”, disse.

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