Relatório da ONU sobre presos na Síria aumenta pressão sobre o ocidente

  • Por Jovem Pan
  • 10/02/2016 11h55
Resgate após bombardeio na cidade síria de Idlib.

 O relatório das Nações Unidas que denuncia o extermínio de presos na Síria é relevante, mas para especialistas não deve alterar a postura de potências. Uma comissão de inquérito da ONU, liderada pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, entrevistou mais de 600 pessoas entre sobreviventes e testemunhas. A investigação verificou que os abusos partem tanto de organizações pró-regime de Bashar al-Assad, quanto dos grupos opositores.

O coordenador do curso de relações internacionais das FMU, Manuel Furriela, diz a Tiago Muniz que o relatório pode ter consequências diplomáticas e penais: “Esse tipo de relatório coloca uma pressão adicional sobre o ocidente, para que as questões relacionadas ao tema sejam solucionadas, outro fato é a possibilidade de tribunais internacionais julgarem os envolvidos”.

Ainda assim, Estados Unidos e Rússia devem manter as posições, o que leva o conflito na Síria ao mesmo jogo travado desde o início da guerra civil. Para o professor de relações internacionais das Faculdades Rio Branco, Gunther Rudzit, a conivência dos dois países contribui para manter o conflito: “Uma revolta popular, um levante contra o regime, hoje praticamente se tornou uma guerra sectária”.

O relatório “Fora da vista, fora da mente: mortes em detenção” compreende o período entre março de 2011 e novembro de 2015. O documento conclui que “há bases razoáveis para acreditar que a conduta descrita representa extermínio como crime contra a humanidade”.