“Se Temer quer salvar sua figura e o País, deve renunciar”, defende Miguel Reale

  • Por Jovem Pan
  • 18/05/2017 07h45
Sessão deliberativa extraordinária destinada a discussão do Parecer nº 726, de 2016, que analisa a procedência ou improcedência da Denúncia nº 1, de 2016, referente ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em discurso, jurista Miguel Reale Júnior (denunciante). Foto: Fernando Bizerra/Agência SenadoMiguel Reale Jr - Senado

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, o jurista e signatário do impeachment de Dilma Rousseff, Miguel Reale Jr, defendeu que o presidente Michel Temer renuncie do exercício da presidência. “Se Michel Temer quer salvar sua figura e salvar o País, a solução é a renúncia”, disse.

Miguel Reale Jr. afirmou ainda que a conversa gravada em que Temer compra o silêncio de Cunha é um “fato grave e nada republicano”. Para ele, todos os presidentes têm seu lado B.

“Todos os presidentes têm seu lado B. É Lula, Dilma que tem e-mails secretos, Temer que tem conversas sobre calar Cunha mediante propina. O País está destroçado por aqueles que traem o voto popular mediante corrupção. Michel Temer tinha como projeto salvar o país, estava fazendo isso, fevereiro tinha aumento de emprego. O melhor caminho é a renúncia. País não aguenta mais um processo de impeachment”.

O jurista aproveitou ainda para criticar os petistas, que agora dirão que gravações de conversa são legítimas: “está se mostrando que a imprensa é imparcial e denuncia os fatos”.

A delação

O presidente Michel Temer foi gravado pelo dono da JBS Joesley Batista aprovando a compra de “mesada” para o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, já preso na Lava Jato, para silenciá-lo. A informação foi fornecida à Procuradoria-Geral da República pelos donos da frigorífica, Joesley e Wesley Batista, em delação premiada.

Os dados comprometedores já teriam sido apresentados ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, relator da Lava Jato na alta Corte, a quem cabe homologar o conteúdo da delação.

A informação é do colunista do jornal O Globo, Lauro Jardim.

A reação no Congresso Nacional foi imediata. Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício de Oliveira, encerraram as sessões imediatamente e os líderes estão reunidos. No Senado, opositores propuseram a abertura “imediatamente” de um pedido de impeachment de Michel Temer. O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) foi mais rápido e já protocolou um pedido de impedimento.

Joesley Batista informa ao presidente da República que estava pagando a Cunha e ao operador Lúcio Funaro, dentro da prisão, um valor para evitar que eles fizessem delação premiada. Na gravação, Michel Temer teria dito: “tem que manter isso, viu?”.

A gravação teria sido feita em março deste ano. Eu outra gravação no mesmo mês, Temer também indica o deputado Rodrigo Rocha Lourdes (PMDB-PR) para resolver assuntos da J&F (controladora da JBS).

Uma gravação posterior, então, registrou a entrega de uma mala de R$ 500 mil em dinheiro enviada, a pedido de Joesley, para Rocha Lurdes.

Confira a entrevista completa: