Secretário de Doria admite que Projeto Redenção foi antecipado por ação policial na cracolândia

  • Por Jovem Pan
  • 29/05/2017 08h56
23 05 2017 Sao Paulo SP Brasil - Com a retirada do viciados em crack da região da Luz centro . Outros locais como Praça Princesa Isabel é a nova" Cracolandia" com centenas de usuarios de droga na cidade e tamebém em outros locais do centro. Foto Alan White/Fotos PublicasCracolândia passou para Praça Princesa Isabel - Fotos Públicas

Após a forte atuação policial nas ruas onde permanecia grande “fluxo” da cracolândia no centro de São Paulo, no último dia 21, usuários de droga e traficantes se espalharam em cerca de 20 novos grupos pela cidade, as “mini-cracolândias”.

O secretário de governo do prefeito João Doria, Julio Semeghini, afirma que a dispersão facilita o sucesso de abordagem e internação aos adictos, mas admite que a Prefeitura teve de “antecipar” o Projeto Redenção, que oferece auxílio médico aos usuários, e “ajustar” os planos traçados.

“O governo do estado, o governo municipal, a OAB, várias entidades, inclusive o Ministério Público têm construído há alguns meses o Projeto redenção, que foi na verdade antecipado por essa ação, que já foi feita, nós temos de respeitar. Agora temos de fazer o nosso trabalho”, disse Semeghini em entrevista exclusiva à Jovem Pan.

“O fato de as pessoas estarem espalhadas só ajuda os assistentes sociais e os médicos. Você consegue duplicar significativamente várias vezes a capacidade de atendimento e abordagem dessas pessoas quando elas estão concentradas. E o número de sucesso de abordagem para internação tem crescido muito, porque as pessoas estão mais vulneráveis nessa situação”, afirmou o secretário de Doria, sem deixar claro se se referia às pessoas “espalhadas” ou “concentradas”.

“Mesmo que não tivesse sido esse pedaço da ação policial tratada, porque foi uma decisão da polícia, que tinha que tomar de novo aquela área, nós agora estamos ajustando o nosso processo para essa situação, não de atendimento a uma pessoa num local só, mas elas espalhadas. E nós estamos percebendo um resultado muito melhor do que nós podíamos imaginar”, avalia.

Internação compulsória

Neste final de semana, o Tribunal de Justiça derrubou a liminar que autorizava o encaminhamento de dependentes químicos para avliação médica e internação na região da cracolândia. O secretário diz que apenas aguarda a publicação da decisão para entrar com um recurso, mas garante que o projeto da Prefeitura não foca na internação forçada.

Semeghini diz que os casos de internação compulsória são “as exceções” do projeto. Essa medida destinaria-se aos “extremos” e apenas aos adictos que “colocam a própria vida em risco e a vida de outras pessoas”. Semeghini afirma que apenas 26 pessoas foram internadas involuntariamente em mais de mil intervenções feitas pelo governo do Estado.

“Queremos conduzir essas pessoas até uma junta médica que irá decidir o melhor caminho e tratamento”, diz.

Novas Medidas

O secretário do governo Doria diz que foi montado um Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) na Rua Helvétia, endereço da antiga cracolândia, e “nesta semana, no coração (da nova aglomeração de usuários de crack), na praça Princesa Isabel, vamos montar um grande ambulatório que poderá atender mais de 100 pessoas”.

Além disso, Semeghini anunciou “mais dois espaços próximos de onde tem aglomeração para que eles possam usar um banheiro, tomar um banho, serem alimentados”.

“É uma coisa dinâmica. À medida que essas pessoas se movem, nós temos que mudar nossa estratégia”, reconhece o secretário, afirmando, porém, que até agora “está indo muito bem”.

Semeghini destacou ainda que é importante “não regredir”, indenizar as famílias que tiveram prédios desocupados na antiga cracolândia e estabelecer no local novos locais de atendimento público para a saúde e um CEU (Centro Educacional Unificado) prometido.