Secretário de Haddad insufla a greve de servidores estaduais

  • Por Jovem Pan
  • 13/03/2015 12h08
SÃO PAULO, SP, 03.10.2014: CARREATA-PT - A presidente da República e candidata à reeleição, Dilma Rousseff, o candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o candidato ao Senado, Eduardo Suplicy, participam de carreata do PT no centro da capital paulista, nesta sexta-feira. (Foto: Fábio Nasi/Frame/Folhapress)O candidato ao governo de São Paulo

Reinaldo, quer dizer que um dos homens fortes do prefeito Fernando Haddad está insuflando greves de servidores estaduais?

Está sim. É uma vergonha, é um disparate, é um absurdo, mas está. No domingo, muita gente vai à rua. Alguns pedem o impeachment da presidente Dilma. Outros acham que ainda não há condições para Isso, mas que é preciso manter a mobilização. Há quem vá para, principalmente, protestar contra a roubalheira. Mas uma coisa é patente: todos estão com o saco cheio do PT e de seus métodos. O que vocês lerão abaixo é espantoso. Mas aconteceu! Está tudo documentado.

Vamos ver. O que diriam o PT e a imprensa paulistana se um secretário do governador Geraldo Alckmin, do PSDB, discursasse em reunião de servidores da Prefeitura, comandada pelo petista Fernando Haddad, incitando-os, na prática, à greve? Pois foi o que fez Alexandre Padilha, candidato derrotado ao governo do Estado e hoje “Secretário de Relações Governamentais” da Prefeitura, seja lá o que isso signifique.

Está tudo documentado no site da CUT, com link lá no meu blog, num texto do dia 8. Lá se pode ler o seguinte: Depois de uma análise de conjuntura feita pelo secretário de Relações Governamentais da Prefeitura de São Paulo, Alexandre Padilha, e pelos técnicos do Dieese, fulano de tal e não sei o que, diferentes categorias lançaram oficialmente a Campanha Salarial Unificada 2015, com uma pauta de reivindicações que será entregue ainda neste mês ao governo. E mais adiante pode-se ler: “Os trabalhadores mandaram ainda um recado ao governador Geraldo Alckmin, afirmando que não haverá tréguas e que paralisações estão previstas a partir desta semana.”

O petista Padilha, como se sabe, foi derrotado por Alckmin em 644 dos 645 municípios de São Paulo. Mas parece não ter aprendido a lição. Agora que os valentes perceberam que não dá para fazer a guerra das torneiras, então tentam promover a desordem no Estado.

E o secretário, creiam, ainda se orgulha de seu feito no Facebook. Vejam lá o link na minha página. Escreveu ele em seu perfil: “O dia começou quente. Falei na Plenária Estadual de Sindicatos de Trabalhadores Públicos do Estado de São Paulo, na sede da Apeoesp.”

Na reunião de que Padilha participou, uma certa Telma Victor, secretária de Formação da CUT São Paulo, afirmou: “O neoliberalismo impera no estado, mas avançaremos com a nossa organização e mobilização. Já demos exemplos de luta a esse estado e é essa resposta que os servidores darão no próximo período. Vamos quebrar a vidraça da grande mídia que não expõe os dois lados”. Entenderam? Para essa patriota, Dilma, com Joaquim Levy Mãos de Tesoura, não é neoliberal, claro! Mas Alckmin sim!

Depois que Padilha foi insuflar a greve, algumas já foram marcadas, conforme você poderão ver em um quadro que eu publico no meu blog. A Apeosp, o sindicato dos professores da rede estadual, comandada pela notória Bebel Noronha, quer um modesto reajuste de 75,33%. Ou greve. Bebel é filiada ao PT, a exemplo de outros dirigentes sindicais que estão convocando paralisações.

A propósito: para garantir um pouco de “povo na rua” nos atos em defesa de Dilma, a Apeoesp e o Sindsaude marcaram assembleias justamente para esta sexta, em mais um ato coordenado com o PT.

Se Haddad tivesse um mínimo de responsabilidade, demitiria o seu secretário. É escandaloso que um homem da Prefeitura utilize a força do cargo – e não adianta dizer que estava lá apenas como militante – para tentar promover paralisações de servidores.

Acreditem: essa é uma das coisas de que a população já está com o saco cheio. Não aguenta mais ter a sua vida atrapalhada por oportunistas e por militantes sindicais que nem mesmo atuam em defesa dos trabalhadores. São nada mais do que esbirros de um partido político.

Felizmente, no entanto, o país acordou e está dizendo “não”.