“Senado tem que escolher entre a escuridão e a luz”, defende Miguel Reale

  • Por Jovem Pan
  • 09/08/2016 08h31
Miguel Reale Jr. na comissão do Senado 28/05

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, da rádio Jovem Pan, o jurista e signatário do pedido de impeachment contra a presidente afastada Dilma Rousseff, afirmou que o Senado deverá escolher entre a escuridão e a luz no fim do túnel já nesta terça-feira (09).

“Senado tem que escolher entre a escuridão e a luz, que está no fim do túnel, já aparecendo. Ou voltamos para a escuridão ou começamos a ver a claridade e olhar para frente”, disse Miguel Reale Jr.

Nesta terça-feira (09), o Senado vota a pronúncia, que definirá se o processo de impeachment contra a petista avança e segue a julgamento final. Para que o processo continue correndo, é necessária maioria simples dos senadores na sessão que será presidida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski.

“O momento é de apreciação da acusação e depois as provas. Todas as provas conspiram absolutamente contra a acusada”, destacou.

A defesa de Dilma alegou inúmeras vezes que a presidente afastada não cometeu crime pois cometeu erro de tipo, quando a pessoa conhece a lei, mas a interpreta de forma diversa e, quando o faz, é isenta de culpa. Para o jurista, “esses argumentos são mentirosos”.

“Basta ver os gráficos. Em 2008 e 2009 começa a ter ascensão dos créditos. Eram valores mínimos de R$ 500 mil por uma semana, 15 dias. Eram atrasos e eram imediatamente recompostos esses adiantamentos. De repente começa a crescer e fica de 2012 e 2013 chegando a R$ 53 bilhões em dezembro de 2014. A diferença era brutal. Isso é uma desculpa esfarrapada. Os fatos são completamente diferentes (…) Não vai dizer que tinha erro de tipo, porque tinha consciência total dos fatos. Fazia isso de plena consciência.”, explicou.

Miguel Reale Jr. afirmou ainda que a presidente afastada pode ser processada na esfera penal, pois cometeu crimes financeiros. Ele alegou aidna que as informações publicadas de delações premiadas mostram que ela tinha “pleno conhecimetno dos desvios de dinheiro da Petrobras para pagamento do marqueteiro. Não só conhecimento, como era orientadora do processo. Aí não era caixa dois, era pagamento de propina. Se tem vários problemas criminais que vão surgir depois”.

A sessão desta terça-feira (09) deverá durar aproximadamente 20 horas e será iniciada com a apresentação de questões de ordem pelos senadore e, em seguida, será feita a leitura do relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG).

Após a leitura do relatório, os senadores inscritos, mais de 40, terão dez minutos para a fala. Após os senadores, a acusação tem 30 minutos para últimas considerações e a defesa mais 30 minutos. A partir daí tem-se início a votação por painel eletrônico.