Senador defende decisão de Moro: a regra da República é a publicidade dos atos

  • Por Jovem Pan
  • 17/03/2016 08h31
Plenário do Senado Federal durante sessão não deliberativa ordinária. Em discurso, senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB). Foto: Jefferson Rudy/Agência SenadoCássio Cunha Lima

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) falou, em entrevista exclusiva à Jovem Pan que a oposição, diante dos novos desdobramentos políticos, se prepara para agilizar o processo de impeachment de Dilma Rousseff: “mais importante do que impedir a posse do ex-presidente é impedir o mandato de Dilma pelos seus crimes”. O senador cita os crimes de responsabilidade fiscal e a tentativa de obstrução da Justiça ao dar um cargo que garante foro especial para Lula.

A conversa de Dilma e Lula divulgada pelo juiz Sérgio Moro na noite de quarta (17), em que a presidente cita um documento de posse para o petista usar “em caso de necessidade”, revela, de acordo com Cássio Cunha Lima, uma fraude de documento público. “O documento de posse foi fraudado. Se você ler na íntegra, diz ‘Diante da presidente tomou posse… ’, ou seja, é fraude”, afirmou.

Com o debate gerado pela decisão de Moro de tornar públicas as gravações de Lula, o senador defende a transparência dos fatos: “não há segredos, sobretudo para crimes. A regra da República é a publicidade dos atos”.

Para o próximo passo, Cássio Cunha Lima aponta ser fundamental atrair o PMDB, que representa um papel decisivo nos desdobramentos do impeachment. Ele afirma que outros partidos da base também romperam com o governo e diz que a pressão e rua vai ajudar que o processo seja aprovado na Câmara dos Deputados. Sobre as definições do rito estabelecidas pelo STF na quarta-feira (16/03), Lima acredita que é preciso agir dentro das regras definidas e aceitar a decisão da Corte, caso contrário, o processo vai ficar engessado em uma questão jurídica sem fim.