Senador prevê votação na quarta e defende benefícios com afastamento

  • Por Jovem Pan
  • 10/05/2016 09h29
Plenário do Senado Federal durante sessão não deliberativa ordinária. Em discurso, senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB). Foto: Jefferson Rudy/Agência SenadoCássio Cunha Lima

 O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima, chama de “manobra procrastinatória” decisão de Waldir Maranhão de suspender processo de impeachment. Em entrevista a Jovem Pan, o senador afirma que mesmo que o deputado não tivesse revogado o seu ato, o Senado seguiria com o processo normalmente: “Já havia sido tomada uma decisão nesse sentido ontem, pelo plenário do Senado, por decisão do presidente Renan Calheiros, em não reconhecer o ofício da Câmara do presidente interino”. O senador acrescenta a falta de jurisdição e de competência como motivos para ignorar o ato, além do fato do processo não pertencer mais à Câmara.

Cássio Cunha Lima relaciona a ação à tentativa do governo de escapar de um julgamento: “O governo não está conseguindo defender Dilma dos graves crimes cometidos. Tenta enrolar o julgamento, evitar porque sabe que os crimes foram cometidos e por isso ela deve ser punida”.

A votação no plenário do Senado está prevista para quarta-feira (11), e Cássio Cunha Lima acredita que será possível ter uma posição até o final da noite: “A ideia é começar a sessão pela manhã. Haverá uma pausa de 1 hora ao meio-dia e uma às 18 h. Volta às 19h e, a partir daí, no meio da noite, antes do início da madrugada, terá o sistema nominal no painel eletrônico, para proceder a votação”. O senador defende que, como todos os senadores poderão falar, apesar de que nem todos vão optar por fazê-lo, é desnecessário reservar um tempo para a fala dos líderes partidários.

Com o afastamento de Dilma Rousseff, após a aprovação do processo no Senado, Cássio Cunha Lima diz concordar com a manutenção dos benefícios do cargo até o julgamento da presidente: “Acho razoável que se preserve as prerrogativas do cargo. Não deve haver uma caça às bruxas, até para não haver um discurso de vitimização. É um afastamento temporário. Cabe ao Senado respeitar o processo legal, o direito de defesa, para que de forma célere, sem retardamento, o julgamento final seja definido. (…) Ela perde o exercício da função, mas continua como presidente da República. O vice não vira presidente, será um vice em exercício”.