Standard & Poor’s aposta em um Brasil que não depende do PT

  • Por Jovem Pan
  • 24/03/2015 09h57
Dinheiro e finanças

Reinaldo, a Standard & Poor’s, agência de classificação de risco manteve a nota do Brasil. Quais são as implicações dessa decisão?

É claro que a notícia não é boa apenas para a presidente Dilma Rousseff. É boa para o país. A agência de classificação de risco  Standard & Poor’s manteve a nota de crédito do Brasil, com perspectiva estável. Assim, na agência, o país permanece “BBB-”, que é o último patamar do grau de investimento. Havia um medo pânico de que viesse o rebaixamento, o que seria desastroso: o país teria mais dificuldade para se financiar, pagaria juros maiores e veria fugir investimentos de grandes empresas e fundos internacionais que não podem apostar em países no grau especulativo.

Mas o “x” da questão não está aí. A Standard & Poor’s deixou claro por que manteve o rating brasileiro: confiança no ajuste fiscal que está sendo implementado pelo governo, cuja personificação é Joaquim Levy, demonizado pelas esquerdas petistas. Não só isso: a agência também elogiou o que considerou “independência” com que o Ministério Público está fazendo o seu trabalho — o mesmo MP que é alvo permanente dos companheiros. “Você também já criticou o MP, Reinaldo!” E continuarei a fazê-lo sempre que achar necessário. A questão é saber qual é a crítica dos petistas e qual é a minha. Os leitores que me interessam e que quero sabem fazer a distinção.

Assim, vejam que mimo: Dilma só não entrou numa encalacrada dos diabos — e, com ela, todo o país — porque os dois principais alvos do petismo — Levy e o MP — concorreram para que a S&P mantivesse o rating do país. E o que isso quer dizer?

Que Dilma é hoje refém de Joaquim Levy, o que, sob certo ponto de vista, não deixa de ser uma boa notícia. Pior seria se fosse refém do PT e de outras forças retrógradas, eu sei. Mas é fato: hoje, o ministro da Fazenda tem mais poder no país do que a própria presidente da República. É para ele, não para ela, que se voltam os olhares.

A rigor, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, é uma figura política hoje com mais trânsito do que a presidente da República. E, como é sabido, nessa área, trânsito é sinônimo de… poder! O mesmo se diga de Michel Temer, vice-presidente da República, que consegue dialogar com forças com as quais Dilma não conversa.

É um movimento em muitos aspectos natural. O poder rejeita o vácuo. Como a presidente, no momento, está sem iniciativa política, outras figuras ocupam o espaço.

Dilma segue presidente, mas resta evidente que a Standard & Poor’s e os que conseguem manter o otimismo apostam no num Brasil que não depende nem do PT nem dos petistas. Hoje, eles atrapalham o país.