Tusk se inspira em John Lennon ao sonhar com permanência britânica na UE

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan Londres
  • 23/06/2017 15h21
BRUS02 BRUSELAS (BÉLGICA), 22/06/2016.- El presidente del Consejo Europeo, Donald Tusk, participa en la reunión sobre el "brexit" en el Consejo Europeo en Bruselas, Bélgica, hoy 22 de junio de 2016. EFE/Olivier HosletPresidente do Conselho Europeu

A fragilidade política e a sequência de tragédias do Reino Unido nos últimos tempos deram novo fôlego aos que acham que o Brexit pode ser revertido. Essa é uma esperança que praticamente não existe por aqui, mas que mesmo assim cresce no continente.

Nesta quinta, o presidente da Comissão Europeia, Donald Tusk, deu até uma de poeta ao responder se achava que existe alguma chance da Inglaterra desistir do divórcio e continuar no bloco. Ele respondeu desse jeito: “podem me chamar de sonhador, mas não sou o único.” Frase romântica e inspiradora escrita pelo britânico John Lennon para a música Imagine.

A verdade é que embora a primeira-ministra britânica, Theresa May, esteja a um passo de se tornar uma patca manca, na expressão em inglês para líder morimbundo, não existe clima no Reino Unido para reverter o Brexit.

Lembrem-se que esse ainda é um país majoritariamente dominado por dois partidos: Conservador e Trabalhista. Tanto o governo quanto a oposição já se comprometeram inúmeras vezes em levar o divórcio adiante. Mesmo que May caia em breve, o que ainda pode acontecer, dificilmente surgiria uma nova liderança, um maverick disposto a ignorar o resultado do referendo separatista. Essa conversa é pura balela.

O que aconteceu, sim, é que o governo britânico está enfraquecido e já percebeu que terá que conceder mais do que gostaria nas negociações do divórcio, iniciadas nesta semana.

Ontem, Theresa May ofereceu dar aos europeus os mesmos direitos de residência, trabalho e acesso aos beneficios sociais que os britânicos têm durante um período de dois anos. Seria uma espécie de janela que pode ficar aberta após a separação. A proposta foi bem recebida, porque esse é o tema prioritário do Brexit, mas não atende a todas as demandas do bloco.

Atualmente três milhões de europeus moram no Reino Unido e um milhão de britânicos moram na Europa. Por isso a ideia é definir logo a situação dessas pessoas que ainda não sabem o que o futuro guarda para elas.