Vazamento de delações expõe pessoas a um pré-julgamento, critica Kakay

  • Por Jovem Pan
  • 14/04/2017 10h24
Kakay

Um dos nomes de destaque na defesa de acusados na Operação Lava Jato, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, criticou, em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, o vazamento de delações premiadas, que levam a uma pré-julgamento dos nomes citados e à espetacularização.

“Sou contrário à forma como as delações premiadas têm sido levadas no Brasil. Uma delação com diversos nomes de uma mesma empresa perde a espontaneidade. Sou contra o sigilo [das delações] salvo quando é absolutamente necessário, porque o vazamento expõe pessoas a um pré-julgamento”, disse.

Segundo Kakay, a acusação em si já é uma pré-condenação. “Óbvio que se a pessoa vai para a primeira página dos jornais há um pré-julgamento. Na Suíça, por exemplo, a pessoa que está sendo levada à investigação não tem o nome divulgado para a imprensa. Temos que pensar na importância da Lava Jato, nas delações, mas a espetacularização não é boa para quem está sendo julgado e nem para a sociedade”, explicou.

O advogado então questiona se queremos uma “investigação a qualquer custo” sem os direitos básicos à ampla defesa: “isso é o que está acontecendo em partes, e o País sai pior”.

“Devemos sempre criticar a espetacularização, os excessos e a falta de direito de defesa ampla. As pessoas estão pré-condenadas, não conseguem andar nas ruas. Estamos falando de delações que, às vezes, têm erros enormes. O delator protege algumas pessoas e delata outras. Tudo isso é muito grave. É importante que repensemos o processo penal como um todo. Há enganos, erros”, disse.

Advogado de mais de dez envolvidos na Lava Jato, Kakay reiterou que a operação deve continuar com sua profundidade, mas tem a obrigação de se manter dentro dos parâmetros da legalidade.

“Quando critico vazamentos, não critico a imprensa, mas o agente público que tem essa informação e comete o crime”, esclareceu.

Confira a entrevista completa: