“Vi que tinha se viciado e depois perdeu a vergonha”, diz senador sobre PT

  • Por Jovem Pan
  • 15/02/2016 09h11
Plenário do Senado Federal durante sessão não deliberativa ordinária. Em discurso, senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Foto: Waldemir Barreto/Agência SenadoCristovam Buarque

 O senador Cristovam Buarque deixará o PDT e vai se filiar, na próxima quarta-feira (17/02), ao PPS. Pedetista há 11 anos, Cristovam foi convidado pelo presidente nacional do PPS, Roberto Freire, para capitanear uma modernização no partido. Ele deixou a antiga legenda por discordar de um novo acordo entre PT e PDT, que deverá lançar Ciro Gomes como candidato a presidente em 2018. Segundo ele, “Ciro será a continuação de Dilma com calça comprida, e a continuação de Lula sem o macacão de operário”.

Em entrevista à Jovem Pan, Cristovam Buarque afirma que ainda não foi discutido se ele vai se candidatar para as próximas eleições presidenciais: “Não vou mudar de partido para ser candidato. As minhas conversas com o PPS são claras, nem eles são obrigados a me fazerem candidato, nem eu sou obrigado a ser candidato”. O senador afirma que quer trabalhar junto com o partido para adaptar as propostas existentes para um novo Brasil.

Buarque conta que esteve reunido com a presidente Dilma Rousseff para tentar recuperar a credibilidade do governo, mas afirma que não foi ouvido: “No encontro que tive com ela (Dilma) junto com cinco senadores, levamos para ela o que era necessário fazer para recuperar a credibilidade do governo, mas ela não fez nada daquilo”. O senador afirma que hoje, Dilma não tem autoridade para aprovar suas propostas no Congresso, como por exemplo, a volta da CPMF.

Sobre o impeachment, Buarque lamenta ter que recorrer a um mecanismo que afirma ser ruim para o regime democrático e diz que não vai antecipar o seu voto: “Vai passar pelo Senado o julgamento do impeachment, então não vou julgar antes. Vou ouvir os argumentos a favor, a defesa da Dilma e votarei na hora. Votarei com tristeza porque é ruim para democracia, vai criar um vício na população de pensar: ‘vamos votar em qualquer que depois a gente tira’”. O senador compara o impeachment a um procedimento médico, onde é preciso amputar uma perna para salvar uma vida, e diz: “Se alguém comete um crime tem que tirar, mas eu sou contra tirar porque a presidente é ruim e ela é ruim, mas ninguém deve comemorar a amputação de uma perna”.

Após mais de 10 anos de parceria com o PT, Cristovam Buarque diz ter se desiludido com o caminho que o partido tomou: “Era um avanço que o Brasil mostrava, de ter um operário e um partido de esquerda na presidência. Dois anos depois da minha da admissão (como ministro) por telefone, eu tinha esperança no partido. Mas vi que tinha se viciado e depois perdeu a vergonha. Reclamei, protestei porque o partido estava levando o país por um caminho errado”.

Confira a entrevista completa de Cristovam Buarque no Jornal da Manhã.