Vive virando o pé? Descubra por que acontece e como evitar novas torções
Virar o tornozelo ao caminhar, correr ou praticar esportes é uma situação comum. O problema é quando isso passa a acontecer com frequência.
Entorses repetidas de tornozelo não devem ser encaradas como algo normal ou inevitável. Na maioria das vezes, elas indicam uma condição chamada instabilidade crônica do tornozelo, que aumenta o risco de novas lesões, dor persistente e limitação funcional no dia a dia.
Após a primeira entorse, especialmente quando não há tratamento adequado, os ligamentos laterais do tornozelo podem não cicatrizar corretamente. Isso compromete a estabilidade da articulação e faz com que pequenos desníveis do chão, movimentos bruscos ou até caminhadas comuns passem a representar risco de novas torções.
O que está por trás das entorses
As entorses repetidas costumam ser resultado de uma combinação de fatores. A lesão ligamentar mal tratada é o principal deles, mas não é o único. Fraqueza muscular, especialmente dos músculos responsáveis pela estabilização do tornozelo, perda da propriocepção – capacidade do corpo de reconhecer a posição da articulação no espaço – e alterações biomecânicas do pé contribuem para o problema.
Além disso, retornar precocemente às atividades físicas após uma entorse, sem reabilitação adequada, aumenta significativamente a chance de recorrência. Cada nova torção gera mais dano aos ligamentos, à cartilagem e, em alguns casos, aos tendões, criando um ciclo de instabilidade progressiva.
Deixa de ser apenas um incômodo
Nem toda entorse recorrente causa dor intensa o tempo todo. Em muitos casos, o paciente relata apenas insegurança ao caminhar, sensação de que o pé 'falha' ou episódios frequentes de torção em situações simples. Com o passar do tempo, no entanto, a instabilidade pode evoluir para dor crônica, inchaço persistente e limitação para atividades físicas e até tarefas rotineiras.
Se não tratada, a instabilidade crônica do tornozelo pode levar a lesões associadas, como tendinites, lesões da cartilagem do tálus e artrose precoce da articulação. Por isso, entorses repetidas nunca devem ser negligenciadas, especialmente quando afetam a qualidade de vida ou impedem a prática de exercícios.
Quando a cirurgia é indicada
O tratamento inicial, na maioria dos casos, é conservador. A reabilitação fisioterapêutica tem papel central, com foco no fortalecimento muscular, no treino de equilíbrio e na recuperação da propriocepção. O uso temporário de órteses ou tornozeleiras pode ajudar na fase de retorno às atividades, mas não substitui a reeducação funcional.
Quando o tratamento conservador não é suficiente e a instabilidade persiste, a avaliação com um ortopedista especialista em pé e tornozelo é fundamental. Em casos selecionados, a cirurgia pode ser indicada para reconstrução ligamentar, restaurando a estabilidade da articulação e reduzindo o risco de novas entorses.
Viver “virando o pé” não é normal e não deve ser aceito como parte da rotina. Identificar a causa das entorses repetidas e tratar adequadamente é essencial para evitar complicações futuras e preservar a função do tornozelo a longo prazo.
Dra. Marina Melhado – CRM/SP 179.632 | RQE 121.033
Ortopedista e traumatologista
Membro da Brazil Health
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