Suspeitos de lavar dinheiro para o PCC são presos em operação em São Paulo
Um dos detidos um era membro da facção, o outro articulava todo esquema; ação conjunta da Polícia Civil e Ministério Público de São Paulo mirava grupo chinês
Dois suspeitos de integrarem grupo criminoso que lavava dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) foram presos nesta quinta-feira (12) em uma operação conjunta da Polícia Civil de São Paulo, do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Secretaria de Estado da Fazenda e Planejamento.
As investigações mostraram suspeita de lavagem de dinheiro e ocultação de bens por um grupo comandado por chineses ligados à facção que tinham empresas de distribuição de produtos eletrônicos para todo o Brasil. Ao todo, 18 pessoas e 14 empresas são investigadas.
Entre os presos estão: um homem com histórico criminal ligado ao PCC e uma mulher que segundo a polícia era a articuladora do esquema.
Além dos mandados de prisão, também foram cumpridos 20 mandados de busca em São Paulo e Santa Catarina. Outro suspeito que também é alvo da investigação não foi detido porque está na China. O nome dos suspeitos não foi divulgado.
Saldo da operação
Na operação, foram apreendidos quatro carros de luxo. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a força-tarefa mobilizou 100 policiais civis, 20 auditores fiscais da Receita Estadual e dois promotores de Justiça, em quatro endereços ligados ao grupo investigado.
Em entrevista coletiva, o delegado titular da 3ª Divisão de Investigações Gerais (DIG), Fernando David, destacou que a participação direta do PCC no esquema foi o que chamou a atenção dos agentes.
“Existe uma torpeza, para algumas empresas, alguns empresários, de se conectar com o PCC, que virou uma verdadeira plataforma de serviços para quem quer aumentar os lucros”, afirmou.
O Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (Gaepp), do MPSP, bloqueou valores de até R$ 1,1 bilhão.
Entre os bens já identificados e sequestrados estão ao menos R$ 25 milhões em imóveis de luxo, veículos, dezenas de contas bancárias em nome de laranjas e diversas aplicações financeiras.
A investigação ainda identificou uma sistemática confusão patrimonial, com o objetivo de fraudar o fisco, credores e a Justiça, como explicou o promotor do MPSP Ivan Agostinho.
Mercadorias vendidas ilegalmente
Os produtos eletrônicos apreendidos eram vendidos pela plataforma Knup Brasil, mas os pagamentos eram redirecionados para empresas de fachada que funcionavam como contas de passagem. As notas fiscais, por outro lado, eram emitidas por terceiras empresas.
O esquema era tão sofisticado e complexo que em apenas sete meses os criminosos movimentaram pelo menos R$ 1,1 bilhão. O montante criou de acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado uma discrepância massiva entre o fluxo de caixa real e o patrimônio auditável das empresas operacionais.

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