Bolsonaro: Vírus e desemprego precisam da ‘mesma responsabilidade’

  • Por Jovem Pan
  • 31/03/2020 06h30 - Atualizado em 31/03/2020 08h34
Dida Sampaio/Estadão ConteúdoO presidente também não quis falar sobre a decisão do twitter de apagar posts dele que violariam as regras da empresa por supostamente contribuírem negativamente para o combate a epidemia do coronavírus

O presidente Jair Bolsonaro afirma que não tem culpa em relação a pandemia do coronavírus e aos efeitos dela.

A declaração, feita nesta segunda-feira (30), na saída do Palácio da Alvorada, foi uma espécie de defesa do presidente em relação às críticas que recebeu por ter transitado por diversas cidades do Distrito Federal no domingo.

Bolsonaro negou que tenha ido ‘passear’ e disse que contrariou a orientação do ministério da Saúde para ‘ver o povo’.

O presidente afirmou que vai morrer gente, e explicou que o país enfrenta dois problemas, ‘o vírus e o desemprego’, que, segundo ele, têm que ser tratados com igual responsabilidade.

“Parece que o problema é o presidente. O presidente tem responsabilidade. Não é apenas questão de vida, também é o emprego. Se continuar o desemprego também terá depressão, questões psiquiátricas.”

O presidente avaliou que a crise pode ser ainda maior e explicou que não há, até o momento, uma vacina ou remédio comprovadamente eficaz no combate a covid-19.

Ele voltou a afirmar que o risco para quem tem menos de 40 anos é muito baixo, e garantiu que quando a situação vai para o caos, com desemprego em massa, fome e problemas sociais, forma-se o que chamou de ‘terreno fértil para os aproveitadores chegarem ao poder e não mais sair dele’.

“Se o Brasil continuar vendo seus empregos destruídos, vocês vão ver a desgraça implantada no Brasil e os oportunistas poderão chegar ao país e nunca mais sair.”

Questionado sobre a decisão do presidente americano, Donald Trump, de recomendar que as pessoas fiquem em casa até o fim de abril, Bolsonaro respondeu que não iria discutir porque, nas palavras dele, ‘o Brasil é diferente de qualquer outro país’.

O presidente também não quis falar sobre a decisão do twitter de apagar posts dele que violariam as regras da empresa por supostamente contribuírem negativamente para o combate a epidemia do coronavírus.

Além disso, Bolsonaro foi cobrado por uma apoiadora que o aguardava na saída do Palácio da Alvorada para que mantenha o ministro da Saúde, Luis Henrique Mandetta, no cargo. Segundo ela, é importante ‘não dar munição para o inimigo’.

*Com informações do repórter Antônio Maldonado