Portugal quer que UE ajude países com problemas causados por coronavírus

  • 24/03/2020 22h34
EFE/David FernándezPrimeiro-ministro português António Costa

O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, defendeu a necessidade de uma medida nos moldes do Plano Marshall de investimento a nível europeu e que o Banco central Europeu (BCE) coloque em prática uma emissão conjunta de dívida para enfrentar õs danos causados pela pandemia de coronavírus.

“Deixem chamar de títulos da dívida europeus ou títulos da dívida do coronavírus. Mas deveria haver uma resposta assim. Não apenas para emitir dívida conjunta, mas para dar uma forte mensagem política da União Europeia ao mundo”, declarou o premiê, que discursou no debate quinzenal no parlamento português. O chefe de governo afirmou ainda que um grande plano de investimento também é necessário à escala europeia: “Pode chamar de Plano Marshall, Von der Leyen ou o que quiser”, afirmou.

O Plano Marshall foi uma iniciativa dos Estados Unidos para ajudar a Europa Ocidental a reconstruir os países devastados durante a Segunda Guerra Mundial. A ideia de Costa, no entanto, é que desta vez será a União Europeia, e não os EUA, a ajudar os países do Velho Continente.

Costa disse que os 37 bilhões de euros alocados pela UE para combater a nova crise do coronavírus não é dinheiro novo, mas sim a realocação de fundos do bloco já programada para outros fins. “A flexibilidade nos ajuda, mas nos priva de força econômica. É preciso dinheiro novo”, defendeu.

O primeiro-ministro também analisou a resposta sanitária ao vírus em Portugal e disse que estão sendo avaliados os piores cenários em conjunto com o setor privado da saúde, as forças armadas e as redes hoteleiras, no caso de terem de recorrer a elas para tratar os doentes. “Por enquanto, não foi necessário intervir. Se necessário, nós o faremos”, comprometeu-se.

Portugal está em estado de emergência desde a última quinta-feira, um decreto que será mantido em vigor até 2 de abril, embora o premiê tenha reconhecido hoje que provavelmente terá de ser prorrogado. O mesmo acontecerá com o fechamento das escolas, que por enquanto foi ordenado até 9 de abril.

* Com EFE