Chile conclui eleição histórica para mudar sua Constituição
Milhões de pessoas participaram das históricas eleições constituintes do Chile , que foram dividas entre sábado e domingo, 15 e 16, para evitar aglomerações. Algumas seções eleitorais, especialmente na capital Santiago, não puderam fechar às 18h porque havia muitas pessoas esperando na fila e as leis impedem que lhes seja negado o voto. Ao final do dia, as urnas foram lacradas e transferidas para salas trancadas, onde permaneceram sob a guarda de 23 mil militares. Nesta semana, o ministro do Interior, Rodrigo Delgado, explicou que representantes de diferentes partidos e candidatos independentes também poderiam permanecer no local durante a noite para garantir que ninguém tivesse contato com as urnas de voto, provando assim que o processo foi transparente.
Ao final do processo, os chilenos irão eleger 155 cidadãos para elaborar uma nova Constituição em substituição à atual, que está em vigor desde a ditadura de Augusto Pinochet. A convenção terá 17 cadeiras reservadas aos povos indígenas e será igualitária, algo inédito no mundo e que em poucos meses fará do Chile o primeiro país a ter uma Carta Magna escrita igualmente por homens e mulheres. Também será a primeira vez em seus 200 anos de independência que o Chile terá uma Lei Fundamental elaborada por uma convenção de cidadãos eleitos, já que os três textos que teve até agora (1833, 1925 e 1980) foram redigidos por órgãos não eleitos pelo voto popular. A revogação da atual Constituição, foco de críticas por sua origem ditatorial e seu viés neoliberal, foi decidida em plebiscito histórico em outubro de 2020. A criação de uma nova Carta Magna era uma das principais exigências dos protestos de 2019, que deixaram cerca de 30 mortos e milhares de feridos e foram os mais graves desde o regime militar.
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*Com informações da EFE
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