Indígenas se reúnem em Brasília e pedem demarcações e ação contra as mudanças no clima
Em Brasília, lideranças indígenas de várias regiões do país ocuparam a Esplanada dos Ministérios pedindo a aceleração das demarcações de terras e políticas efetivas contra as mudanças climáticas. O ato expôs uma reivindicação antiga e uma urgência nova: garantir território é também garantir clima. As terras indígenas são, comprovadamente, uma das formas mais eficazes de conter o desmatamento. De acordo com o MapBiomas, menos de 2% da vegetação foi perdida dentro dessas áreas nos últimos 20 anos — enquanto fora delas, o desmatamento passa de 20%. Entre 2001 e 2021, essas terras evitaram a emissão de 340 milhões de toneladas de CO₂, o equivalente ao total de combustíveis fósseis queimados pelo Reino Unido em um ano. Mas os impactos climáticos já atingem diretamente a vida dessas populações. Plantas essenciais para o artesanato, como a criciúma, a taquara e o komag, deixaram de crescer com a mesma frequência. As famílias também relatam perdas nas lavouras de milho, feijão, mandioca e frutas nativas — alimentos que antes eram abundantes e agora escasseiam. Essas mudanças não afetam apenas a economia das aldeias. Afetam a cultura, a segurança alimentar e a continuidade dos modos de vida sustentáveis que há séculos mantêm a floresta em pé. A seca mais prolongada, as temperaturas elevadas e o uso de agrotóxicos em áreas próximas têm modificado o equilíbrio ambiental que sustentava essas comunidades.
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Para a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), cada terra demarcada é uma política climática. Esses territórios regulam o regime de chuvas, armazenam carbono, mantêm a biodiversidade e reduzem incêndios. Ainda assim, o processo de demarcação avança devagar, e muitas comunidades seguem desprotegidas e sob ameaça. Com a COP30 se aproximando, o movimento indígena quer mais do que presença simbólica nas negociações. Eles pedem que seus modos de vida sejam reconhecidos como parte das soluções climáticas e que a transição ecológica no Brasil comece com justiça territorial.Proteger essas terras não é apenas reparar uma dívida histórica. É garantir o equilíbrio climático de um país que ainda precisa entender que floresta e futuro são sinônimos.