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Thiago Uberreich

Técnico do bi, em 1962, Aymoré Moreira montou uma equipe vencedora

O treinador enfrentou pressões dos cartolas e da torcida

Thiago Uberreich

Técnico do bi, em 1962, Aymoré Moreira montou uma equipe vencedora
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Aymoré Moreira (1912-1998) foi o técnico da seleção brasileira na conquista da Copa de 1962, no Chile. Ele assumiu o cargo no início do ano anterior no lugar de Vicente Feola, campeão em 1958, na Suécia, e que deixou a camisa amarela para treinar o Boca Juniors, da Argentina. Como jogador, Aymoré foi goleiro e se destacou em clubes como América-RJ, Botafogo-RJ e Palestra Itália (atual Palmeiras). Atuou também na seleção brasileira. Ele era mais enérgico e menos retraído do que Vicente Feola, mas gostava de cultivar hábitos simples.

Em um perfil do treinador, publicado pela Manchete com o título “A história secreta do bi”, a revista cita que o técnico gostava de criar galinhas no interior de São Paulo: “De volta do Chile, o avicultor Aymoré Moreira sentou-se para pensar. Desde o dia que abandonara suas galinhas no sítio de Taubaté, muitas coisas lhe aconteceram, inclusive a conquista do coração de 70 milhões de brasileiros. (…) ‘Sou um homem simples, acostumado a criar porcos e galinhas. Pertenço ao campo. Ali, aprendi a amar muitas coisas — entre elas, o futebol. Fiz dele uma profissão e, principalmente, uma arte’”

Nascido em Miracema, Rio de Janeiro, Aymoré dizia que a conquista do bicampeonato começou a nascer no segundo tempo do jogo contra a Espanha, o terceiro da campanha vitoriosa, e destacou: “Aprendi, também, com amargura, que os revezes deixam poucos caminhos para o retorno à luta. (…). Meu único mérito foi o de ter aceitado a luta, ciente das suas terríveis alternativas. Se perdesse a Copa seria um homem liquidado”. Assim como Feola, Aymoré era muito aberto ao diálogo com os jogadores. Na partida contra os espanhóis, Amarildo foi escalado no lugar de Pelé, contundido, e marcou os gols da seleção na vitória por 2 a 1.

O treinador brasileiro revelou que era diariamente pressionado para alterar a escalação da equipe. Segundo ele, foram mais de oitenta telegramas que pediam o afastamento de Zagallo, Didi e Vavá. Uma parte da crônica e dos torcedores achava que os jogadores não estavam em boa fase. Aymoré Moreira ponderou: “O mais curioso, porém, é que, mesmo hoje, após nossa indiscutível vitória, ainda me perguntam por que os mantive. (…) Barrar Didi corresponderia a dar de presente aos adversários uma das minhas armas mais eficientes”.

 E ele detalhou os bastidores da pressão feita pelos clubes: “Sofri, sim, uma violenta pressão a partir do dia em que os 41 convocados se apresentaram: queriam que eu levasse Calvet à força. No dia do último treino, em São Paulo, fui apertado por toda a diretoria do Santos Futebol Clube. O deputado Mendonça Falcão, presidente da Federação Paulista de Futebol, chegou a recomendar que eu contasse até dez, antes de tomar qualquer decisão.” 

Por fim, exaltava as orientações dadas por ele aos atletas nos intervalos das partidas: “Nossas vitórias nos segundos tempos serviram para mostrar que o escrete sempre retornava a campo melhor orientado”. Das seis partidas, apenas na semifinal a seleção terminou o primeiro tempo em vantagem no placar. 

Aymoré não deixou de reverenciar Garrincha: “Eu o considero tão grande como Pelé. Tem picardia própria, reflexos rápidos, dribla, cabeceia, corre e chuta bem. É, portanto, perfeito (…). Na concentração, ele era o comandante da alegria, inventando apelidos hilariantes para os colegas”. O treinador elogiou ainda o antecessor, Vicente Feola, considerado por ele, Aymoré, um autêntico bicampeão. 

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Apesar de todos os percalços, a seleção conquistou a Copa do Mundo pela segunda vez graças aos jogadores que honraram o bom nome do desporto brasileiro, como dizia Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação nacional. Dos vinte e dois atletas, catorze também estavam no plantel de 1958. Nos seis jogos da competição, o técnico Aymoré utilizou doze dos vinte e dois atletas. Na volta para casa, o treinador foi ovacionado pela população de Taubaté, interior paulista.

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