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Política

Wagner usou jatos e ganhou ingressos de R$ 63 mil de ex-sócio de Vorcaro, diz PF

Decisão da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18), detalha que o líder do governo Lula teria recebido benefícios em troca de suposta defesa de interesses do Master

Nícolas Robert

Líder do governo Lula (PT), Jaques Wagner
Líder do governo Lula (PT), Jaques Wagner Lula Marques / Agência Brasil

O líder do governo Lula (PT) no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), é alvo de investigação da Polícia Federal (PF) por suposto recebimento de vantagens indevidas de Augusto Lima, ex-sócio do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Segundo a corporação, o senador utilizou jatos particulares gratuitamente e recebeu ingressos para um show internacional em Los Angeles, avaliados em R$ 63,3 mil, para seus familiares. As informações constam na decisão da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18).

De acordo com as investigações, a relação entre Jaques e Augusto Lima envolveria a defesa de interesses do Banco Master no Congresso. O relatório da PF cita mensagens trocadas em 2023, nas quais Augusto teria colocado aeronaves à disposição de Wagner e de sua família para deslocamentos até a “Ilha da Paixão”, lugar que a corporação aponta que seria de propriedade de Augusto Lima, e para o Rio de Janeiro. Em um dos diálogos de abril de 2024, o empresário encaminhou ao senador o contato de um piloto.

A PF também identificou o pagamento de ingressos para um show nos Estados Unidos por meio da empresa Reag Investimentos. Ao receber as entradas, o senador teria solicitado a ampliação do número de acessos para cinco pessoas.

“A Polícia Federal sustenta que, no curso das investigações, foram identificados elementos indicativos de recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente, por intermédio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao grupo econômico investigado”, diz o documento.

A Jovem Pan tenta contato com o senador Jaques Wagner. O espaço está aberto para manifestação.

Aquisição de apartamento de luxo

Além das viagens e ingressos, a investigação aponta irregularidades na aquisição de um apartamento de luxo em Salvador, a unidade 1702 do empreendimento Poème Horto, avaliada em R$ 2,45 milhões. A PF sustenta que o imóvel teria sido adquirido por meio de estruturas societárias interpostas para ocultar Wagner como o beneficiário real.

Outro ponto do inquérito é o repasse de R$ 3,5 milhões à empresa BN Financeira Ltda., ligada ao núcleo familiar do senador. Para os investigadores, a empresa, registrada como microempresa e com baixo capital social, teria sido utilizada para dar aparência de licitude a repasses indevidos provenientes do grupo econômico investigado. Em troca, Wagner teria atuado em temas de interesse do banco, como em matérias de crédito consignado e em emendas à Medida Provisória nº 1.106/2022.

A MP nº 1.106/2022, citada na investigação, ampliou a margem de crédito consignado para aposentados e pensionistas do INSS. O texto também autorizou que beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e de programas federais de transferência de renda pudessem contratar empréstimos e financiamentos com desconto direto nos benefícios, o que beneficiaria instituições financeiras do setor.