O Brasil(eiro) que poderia ter orgulho
Muitos brasileiros já não acreditam mais na política. Para eles, pouco importa quem está no poder, porque os problemas continuam os mesmos. A cada eleição surgem novas promessas e novos discursos, mas a sensação é de que nada muda para quem acorda cedo, trabalha o dia inteiro e paga impostos altos. E talvez essa desconfiança não tenha surgido por acaso. Mas de onde será que vem essa sensação de que o país nunca avança?
Não por acaso, boa parte da renda dos brasileiros é consumida por uma elevada carga tributária — seja de forma direta ou não — para sustentar um sistema corrupto e altamente lucrativo para as elites políticas. Imagine uma família que entrega quase metade do que produz e, ainda assim, enfrenta filas na saúde, escolas precárias e insegurança. Quando o cidadão trabalha para sustentar o Governo em vez do contrário, algo importante ficou para trás.
O problema não é apenas o quanto se arrecada, mas como esse dinheiro é utilizado. Em vez de priorizar serviços públicos de qualidade e investimentos que melhorem a vida da população, uma parcela significativa dos recursos acaba financiando uma estrutura política cada vez mais cara e distante da realidade do brasileiro comum.
Os privilégios deixam de ser apenas uma impressão quando olhamos para os números. Eles mostram que o problema vai muito além da corrupção ou dos escândalos que aparecem nos jornais. Existe uma estrutura cara, cheia de benefícios e sustentada por quem trabalha e paga impostos todos os dias. Diante disso, não é difícil entender por que tanta gente deixou de acreditar na política. O problema não é o povo ter perdido a fé na política, mas a política ter dado motivos suficientes para que isso acontecesse.
Diariamente, nos jornais, nos deparamos com parlamentares que gastam demais e produzem menos, enquanto uma população inteira vive sob as mordaças de um Estado inchado que frequentemente coloca seus interesses acima do bem-estar da população. Afinal, quem paga o preço quando a popularidade do parlamentar vale mais que uma sociedade inteira? Temos o segundo Congresso mais caro do planeta, a Justiça mais cara do mundo e recentemente o Brasil repetiu a segunda pior nota no Índice de Percepção da Corrupção (IPC). Engana-se quem acredita que esses gastos exacerbados são convertidos em eficiência.
Em média, cada deputado federal apresenta apenas seis projetos por ano. Entre os senadores, a média é de dez. Isso sem considerar os cerca de R$ 20 bilhões anuais gastos com supersalários no setor público. Esse conjunto de privilégios e despesas reflete-se diretamente na rotina e na qualidade de vida dos brasileiros. Afinal, a classe política, seja do Executivo, Legislativo ou Judiciário, se tornou o topo da pirâmide, classe evidentemente separada e distante da maioria. Por consequência, quando os privilégios de poucos são financiados pelo esforço de milhões que acordam cedo e não sabem se voltam antes do anoitecer, o problema deixa de ser apenas econômico e passa a ser moral.
Os números parecem distantes da realidade até olharmos para quem paga essa conta. Enquanto um pequeno empresário luta para fechar as contas no fim do mês, boa parte do dinheiro arrecadado continua financiando uma máquina pública que cresce sem entregar serviços na mesma proporção em que desperdiça o orçamento deles.
Ao final, a questão não é se o brasileiro produz pouco, trabalha pouco ou contribui pouco. O verdadeiro debate é por que uma população trabalha tanto para continuar financiando um sistema que cresce mais rápido do que sua capacidade de entregar resultados. Enquanto privilégios forem tratados como direitos e o esforço do contribuinte como recurso inesgotável, o Brasil continuará sendo um país de potencial gigante administrado por uma estrutura que insiste em ignorá-lo. Talvez o maior desperdício do Brasil não esteja apenas no dinheiro público, mas nas oportunidades que deixam de existir por causa de um sistema que recompensa privilégios em vez de resultados. O Brasil em que o seu povo se orgulha de viver já existe em potencial. O que falta é acabar com esses obstáculos que impedem a possibilidade de se tornar realidade.
João Pedro Porto é estudante de Relações Internacionais no Centro Universitário de Brasília, Fundador da Frente Parlamentar pela Educação Livre e líder Livres no Distrito Federal.