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Patrícia Costa

Crise climática: quando a desinformação também vira desastre

Eventos extremos se intensificam no Brasil, enquanto fake news e negacionismo ainda atrapalham a compreensão pública e atrasam respostas à crise climática.

Patricia Costa

ponto de alagamento no bairro Matias Velho, na cidade de Canoas
Alagamento no bairro Matias Velho, na cidade de Canoas, no RS MISTER SHADOW/ASI/ESTADÃO CONTEÚDO

O Brasil instituiu em 16 de março o Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas. A data foi criada para ampliar o debate e incentivar políticas de enfrentamento.

Hoje, mais do que uma discussão ambiental, o tema é uma questão de gestão de risco, economia e segurança pública.

Nos últimos anos, os sinais ficaram mais claros.

Em 2024, enchentes históricas no Rio Grande do Sul atingiram a maior parte do estado. Estudos da rede científica World Weather Attribution indicaram que as mudanças climáticas tornaram o evento mais provável e mais intenso.

Em 2025, o país enfrentou ondas de calor recordes, secas prolongadas e chuvas extremas. Relatório do Cemaden aponta que eventos climáticos extremos afetaram mais de 330 mil pessoas e causaram cerca de R$ 3,9 bilhões em perdas econômicas.

Esse cenário acompanha uma tendência global.

Segundo o IPCC, o planeta já aqueceu cerca de 1,1°C desde a era pré-industrial, o suficiente para intensificar tempestades, secas e ondas de calor.

Mas existe um obstáculo adicional: a desinformação climática.

Fake news e narrativas negacionistas confundem a população, reduzem a percepção de risco e dificultam a implementação de políticas públicas. O tema já entrou na agenda internacional. Na preparação da COP30, em Belém, organismos internacionais destacaram a necessidade de combater o negacionismo e proteger a

integridade da informação climática.

Porque sem informação confiável, a resposta coletiva fica mais lenta.

A crise climática já influencia infraestrutura urbana, produção agrícola, saúde pública e preços de alimentos. Ignorar esses dados não reduz o problema — apenas aumenta sua complexidade.

Por isso, falar sobre mudança climática não é alarmismo.

É parte da prevenção.

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