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Macroeconomia

JP Morgan rebaixa o Brasil e o dólar ronda R$ 6,00

A piora das contas públicas tem impactos no ambiente de negócio, na medida em que os empresários se tornam mais avessos ao risco, diminuindo seus investimentos

Felipe Cerqueira

Líder em investimentos, banco JPMorgan Chase & Co anunciou aquisição de 40% do banco digital brasileiro C6
151023750_246617210434990_820726122202057465_n Divulgação/Instagram jpmorgan

O banco de investimento JP Morgan rebaixa o Brasil de recomendação de “compra” para “neutro” no mercado acionário. Embora as ações de muitas empresas no Brasil estejam baratas (múltiplos baixos), a visão do banco é correta. Primeiro, porque há uma grande incerteza do lado fiscal. A piora das contas públicas tem impactos no ambiente de negócio, na medida em que os empresários se tornam mais avessos ao risco, diminuindo seus investimentos. Se a empresa investe menos, cresce menos, diminuindo o potencial de geração de lucros no futuro. 

Segundo, o elevado gasto público tem pressionado a inflação, o que eleva os custos para a empresa. Nem todo aumento de despesa, a companhia consegue repassar no preço, o que diminui a sua margem de lucro. Além disso, com mais inflação, o Banco Central atua subindo os juros para conter a alta de preços, o que também prejudica o mercado acionário.

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A taxa de juros elevada tem vários efeitos. Primeiro, aumenta o custo de capital da empresa, diminuindo o seu valor. Segundo, desaquece como um todo a economia, reduzindo o potencial de vendas das firmas. Terceiro, fica muito mais atrativo emprestar dinheiro para o governo, com a compra de títulos públicos, do que investir em ações. 

As taxas dos títulos públicos brasileiras estão atrativas em decorrência de perspectiva de manutenção da Selic em patamares elevados, mais o adicional do prêmio de risco fiscal. A alta demanda por títulos de renda fixa, diminui a procura por investimentos em renda variável, penalizando o mercado de ações.

Soma-se a todos esses fatores, a desaceleração da economia chinesa. Como nossa economia é bastante influenciável pelo crescimento do gigante asiático, o arrefecimento no PIB chinês nos afeta diretamente, principalmente empresas exportadoras, como a Vale. Todos esses fatores explicam a correta decisão do JP Morgam em colocar mais cautela na compra de ativos no Brasil. Enquanto isso, o dólar ronda os R$ 6,00.

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