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Patrícia Costa

Poluição do ar ultrapassa limites de segurança no Brasil

Relatório do Ministério do Meio Ambiente mostra que concentração de poluentes segue acima dos padrões recomendados pela OMS em diversas regiões do país

Patricia Costa

Clima seco e poluição do ar em São Paulo
Clima seco e poluição do ar em São Paulo FÁBIO VIEIRA/FOTORUA/ESTADÃO CONTEÚDO

A qualidade do ar nas cidades brasileiras permanece acima dos níveis considerados seguros para a saúde humana. É o que aponta o Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar 2025, divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, que identificou a ultrapassagem frequente dos limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em diferentes regiões do país. O levantamento reúne dados coletados em estações de monitoramento distribuídas pelo território nacional e, pela primeira vez, passa a considerar os novos padrões definidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) em 2024. A resolução estabeleceu metas graduais para que o Brasil avance até alcançar os parâmetros internacionais de qualidade do ar. Segundo o relatório, poluentes como ozônio, monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre e material particulado — especialmente o chamado material particulado fino — apresentam episódios recorrentes de concentração acima dos níveis recomendados. Essas substâncias são resultado principalmente das emissões veiculares, atividades industriais, geração de energia baseada em combustíveis fósseis e queimadas, fatores que se intensificam em períodos de seca e altas temperaturas. Especialistas apontam que o material particulado fino representa um dos maiores riscos, por conseguir penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea, aumentando a incidência de doenças respiratórias e cardiovasculares.

Os dados também mostram variações sazonais na poluição atmosférica, com piora da qualidade do ar em determinados períodos do ano, especialmente em regiões metropolitanas e áreas impactadas por queimadas. O avanço do monitoramento e a atualização dos padrões ambientais ampliam a capacidade de diagnóstico do país, mas também evidenciam um desafio crescente para a gestão urbana e ambiental. A melhoria da qualidade do ar depende de políticas públicas voltadas à mobilidade sustentável, controle de emissões industriais, transição energética e redução do desmatamento e das queimadas. O relatório reforça que a poluição atmosférica deixou de ser um problema pontual e passou a integrar o conjunto de riscos ambientais associados à urbanização acelerada e às mudanças climáticas, com impactos diretos sobre a saúde da população e o funcionamento das cidades.