Cazaquistão quer figurar entre os 30 países mais avançados do mundo

  • Por Agencia EFE
  • 17/04/2015 11h14

Paris, 17 abr (EFE).- O Cazaquistão coloca o desenvolvimento de suas infraestruturas de transporte e de moradia, junto à industrialização, como seus grandes objetivos para o futuro econômico do país, o que lhe permitirá estar entre os 30 países mais avançados do mundo.

Em entrevista à Agência Efe, a secretária de Estado do Cazaquistão – uma das posições mais altas do governo -, Gulshara Abdykalikova, explicou que esses eixos, junto ao investimento em educação e em instalações energéticas, permitirão ao país superar os desafios que enfrenta.

“Se forem tomadas boas decisões, atravessaremos bem as turbulências econômicas”, disse Abdykalikova, em visita oficial a Paris.

A responsável destacou que essa mesma convulsão econômica, em seu país e no mundo todo, é uma das causas pelas quais a Assembleia do Povo propôs antecipar as eleições presidenciais, que serão realizadas no dia 26 de abril.

Segundo a Constituição, além disso, não é possível realizar no mesmo ano pleitos parlamentares e presidenciais, o que foi outra das razões para antecipar a convocação às urnas.

“Prevemos que mais de 400 observadores internacionais poderão estar presentes nestas eleições”, disse, em referência aos observadores independentes e membros da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (Osce).

Abdykalikova assegurou que “a pouco mais de uma semana, tudo está bem organizado para que o povo cazaque possa tomar uma decisão”.

Contra o atual presidente e grande favorito, Nursultan Nazarbayev, concorrem Turgun Syzdykov, do Partido Comunista, e Abelgazy Kussainov, presidente da Federação de Sindicatos e que concorre sem o apoio de um partido.

As últimas eleições presidenciais ocorreram em 3 de abril de 2011, nas quais Nazarbayev conseguiu 95,55% dos votos.

Abdykalikova defendeu, uma vez finalizadas as eleições, “se concentrar na realização dos objetivos ambiciosos sem distrações, para poder realizar nossas políticas plenamente”.

Após uma década de 90 de grandes dificuldades econômicas, depois de obter a independência da União Soviética, o Cazaquistão criou um fundo nacional com a receita da indústria petrolífera através da qual foram injetados cerca de US$ 10 bilhões na economia entre 2007 e 2009.

A partir deste ano e até 2017, disse a secretária de Estado, “vamos destinar a cada ano US$ 3 bilhões procedentes do mesmo fundo”.

Com esse dinheiro, o Governo pretende dar uma atenção especial às estradas que ligam a capital ao resto do país e à melhora do transporte.

Além disso, as autoridades cazaques pretendem atrair uma centena de novos investidores no segundo programa de industrialização porque, como lembrou Abdykalikova, ao obter a independência, a maioria de empresas no Cazaquistão tiveram que fechar porque eram dependentes de outros países.

Também serão desenvolvidas as infraestruturas de moradia e as de energia, com a construção de duas novas centrais no lago Baljash, além de reformar e levantar escolas, sobretudo no âmbito rural.

Com relação às políticas de gênero, Abdykalikova destacou que seu país traçou o objetivo de contar com 30% de mulheres em postos de tomada de decisão política, enquanto já conta com 20% delas no Parlamento.

A secretária de Estado abordou este assunto em reunião na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre a promoção de mulheres na economia.

“A estratégia de desenvolvimento de igualdade de sexos para 2006-2016 prevê a participação econômica das mulheres nas pequenas e médias empresas e nos grandes projetos de infraestrutura. Agora, posso dizer que no setor das pequenas e médias empresas há 50% de mulheres”, destacou.

E com relação aos campos do governo que podem ser melhorados, Abdykalikova, fazendo suas as palavras de Nazabayev, destacou “a criação de um serviço público profissionalizado, a preparação dos juízes e a diversificação da economia”.

Por fim, apostou em desenvolver os “valores espirituais” do país de modo que seja preservada a harmonia e a amizade entre as 130 etnias diferentes que o povoam. EFE

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