Em Washington operações contra terroristas acabam com fins de semana

  • Por Agencia EFE
  • 05/07/2015 07h03
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Jairo Mejía.

Washington, 5 jul (EFE).- Subdiretor da CIA entre 2010 e 2013, Michael Morell explicou em seu recém-publicado livro de memórias que as principais operações antiterroristas de sua carreira ocorreram quando ele estava em momentos familiares ou com amigos no fim de semana.

Em seu livro “The Great War of Our Time” (“A Grande Guerra do Nosso Tempo”, em tradução livre), Morell detalha os mecanismos que levaram os membros da Agência Central de Inteligência (CIA), do Pentágono, do Departamento de Estado e da Casa Branca a deixarem com o presidente a decisão de matar ou capturar um terrorista.

Em geral, as operações em que o objetivo é capturar, e o terrorista é localizado, parecem ser reservadas ao fim de semana, quando Washington interrompe sua rotina de eventos, conferências e reuniões para substituí-las por cervejas, “brunchs” e beisebol.

Isso aconteceu recentemente com a operação que matou o líder da Al Qaeda no Iêmen, Nasir al Wuhayshi, e a que pretendia matar – e que aparentemente não obteve sucesso – o chefe da Al Qaeda no Magrebe, Mokhtar Belmokhtar.

Também em um fim de semana aconteceu a operação das forças especiais na Síria que matou um dos líderes do Estado Islâmico (EI), Abu Sayyaf, em maio.

A captura de Abu Anas al Libi, em uma sexta-feira de outubro de 2013, foi outro exemplo do trabalho de fim de semana.

Libi, suspeito de ter participado dos atentados às embaixadas americanas em Nairóbi e Dar-es-Salaam em agosto de 1998, foi surpreendido na saída da primeira reza da manhã em Trípoli por um grupo de elite, os Delta Force, que o levaram em uma caminhonete até um destróier em águas internacionais para interrogá-lo.

No entanto, a tarde de domingo mais memorável foi a de 1º de maio de 2011, quando o estado maior do governo americano se reuniu na famosa “Situation Room” da Casa Branca para acompanhar a missão que acabou matando o terrorista mais procurado do mundo: o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden.

Nessas reuniões, assessores, advogados e chefes de Inteligência e Defesa se concentram em frente a imagens de satélite que eles batizaram de “Kill TV” para observar operações como ataques com drones contra alvos bem definidos e as missões de operações especiais que visam interrogar terroristas.

Morell contou em seu livro como foi gerenciada a operação contra Bin Laden em Abbottabad, no Paquistão e como seus planos de fim de semana para ver uma partida de hóquei foram substituídos por uma missão histórica. EFE

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