Felipe Moura Brasil: Em debate, Luiz Marinho apela a truques retóricos do repertório petista

  • Por Felipe Moura Brasil/Jovem Pan
  • 17/09/2018 07h45 - Atualizado em 17/09/2018 09h13
Ronaldo Silva/Estadão ConteúdoLuiz Marinho, claro, fugiu descaradamente da minha pergunta sobre a responsabilidade do PT na indicação dos juízes responsáveis pela prisão de Lula

Confira a minha pergunta para o candidato do PT ao governo do estado de São Paulo, Luiz Marinho, no debate de domingo (16) promovido pela TV Gazeta em parceira com a Jovem Pan e o Estadão.

“O senhor se apresenta como candidato do Lula ao governo de SP e diz que ele é alvo de perseguição. Ele está preso em Curitiba e os governos do PT indicaram 10, ou seja, a maioria dos 15 juízes que foram responsáveis direta ou indiretamente pela prisão de Lula. Contando o TRF4 e o STJ e STF, Dilma indicou nove dos 15 juízes e Lula indicou um. O senhor acredita que os governos do PT foram incompetentes para indicar juízes ou que indicaram juízes isentos?”.

Luiz Marinho, claro, fugiu descaradamente da minha pergunta sobre a responsabilidade do PT na indicação dos juízes responsáveis pela prisão de Lula.

O candidato apelou a uma porção de truques retóricos do repertório petista:

– deu uma carteirada fazendo-se de autoridade em Direito à moda Ciro Gomes;

– tentou desqualificar a sentença de Sergio Moro com o mantra genérico da falta de provas;

– referiu-se pejorativamente à “República de Curitiba” para fingir que na terra da Lava Jato se cumpre uma Constituição paralela;

– menosprezou como “amigos de Curitiba” os três desembargadores do TRF-4 que aumentaram a pena imposta a Lula;

– ignorou, portanto, que dois deles – João Pedro Gebran Neto e Leandro Paulsen – foram indicados pela própria Dilma;

– e falou em nome do povo brasileiro, como se o eleitorado de Lula que agora se transfere parcialmente para Fernando Haddad fosse majoritário na população do país, da qual, na verdade, a maioria considerou a prisão justa;

– e ainda, ignorando que o STJ e o STF já negaram habeas corpus, apostou na futura absolvição de Lula quando ambas as Cortes julgarem novos e infindáveis recursos, porque, compreende-se até, a esperança é a última que morre quando Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello ainda podem ajudar.

O PT em campanha é sempre isso: realidade paralela e aposta na cumplicidade dos outros.