Gabrielli diz que Dilma não é responsável por compra de refinaria
Brasília, 20 mai (EFE).- O ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, negou nesta terça-feira que a polêmica aquisição da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, tenha sido afetada por atos de corrupção e tirou a responsabilidade da compra dos ombros da presidente Dilma Rousseff.
Gabrielli compareceu hoje à CPI do Senado que investiga denúncias contra a estatal que presidiu entre 2003 e 2005.
Apesar do interesse no assunto, os senadores da oposição não se apresentaram à sessão e asseguraram que insistirão que a essa comissão sejam incorporados membros da Câmara dos Deputados, já que a base governista tem grande maioria no Senado.
A investigação abrange os negócios feitos pela Petrobras desde 2002, mas se centra na aquisição da refinaria de Pasadena, concretizada finalmente em 2006 e que a própria empresa admitiu depois ser um “mal negócio”.
A metade do capital da refinaria foi comprada à empresa belga Astra Oil por US$ 360 milhões, apesar de essa firma ter pago um ano antes US$ 42,5 milhões pela totalidade.
A Petrobras foi forçada depois a desembolsar outros US$ 820 milhões pela outra metade do capital, devido a uma cláusula no contrato que obrigava a estatal a adquirir os 50% restantes em caso de divergências entre os sócios.
Essa cláusula e outra que obrigava a Petrobras a garantir um lucro mínimo a Astra Oil enquanto compartilhassem a refinaria, independente de lucros ou perdas, não foram apresentadas ao Conselho de Administração, que era integrado pela então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Gabrielli assegurou que, pelas condições do mercado petroleiro, a compra da refinaria se apresentava como uma “oportunidade”, mas reconheceu que o negócio não trouxe todas as vantagens esperadas pela empresa.
O ex-presidente da Petrobras também disse que, apesar de Dilma integrar o Conselho de Administração da empresa em sua condição, não pode ser responsabilizada pela compra da refinaria.
“Não considero a presidente responsável. A responsabilidade da compra de Pasadena é da diretoria e do conselho. Não é um processo de decisão individualizado, é um processo coletivo”, declarou Gabrielli aos senadores.
Segundo Gabrielli, o caso da refinaria foi utilizado pela oposição e emoldurado na “disputa política” das eleições de outubro.
“Acho extremamente perigoso, condenável, o comportamento da oposição, que está querendo destruir uma empresa sólida, respeitável, bem administrada, com expectativa de crescimento, que é a Petrobras”, concluiu. EFE
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