Homenagens e exposição polêmica lembram 4º aniversário de massacre na Noruega

  • Por Agencia EFE
  • 22/07/2015 14h48

Berlim, 22 jul (EFE).- A Noruega lembrou nesta quarta-feira o quarto aniversário do massacre, que deixou 77 mortos, cometido no dia 22 de julho de 2011 pelo fanático Anders Behring Breivik, com homenagens solenes e a inauguração de uma mostra que inclui objetos originais daquele que foi o pior ataque sofrido pelo país escandinavo em tempos de paz.

O quarto aniversário do dia em que Breivik detonou uma van lotada de explosivos em frente à sede do governo nacional em Oslo, a capital do país, e depois estendeu seu massacre à idílica ilha de Utoeya, foi iniciado com um minuto de silêncio e uma mensagem da primeira-ministra do país, Erna Solberg.

A Noruega viveu naquele dia “um dos momentos mais difíceis de sua história”, afirmou a premiê em um ato que também contou com a presença de seu antecessor no cargo, o social-democrata Jens Stoltenberg, atual secretário-geral da Otan.

O Partido Trabalhista, do qual Stoltenberg faz parte, sofreu de forma especial os ataques do fanatismo islamofóbico de Breivik que, após posicionar a van com explosivos em Oslo, se dirigiu à ilha onde as juventudes ligadas a esse grupo político participavam de um acampamento de verão. Ao desembarcar na ilha vestido de policial, Breivik assassinou 69 pessoas, a maioria adolescentes.

Foi um ataque contra toda a Noruega e contra seu modelo de sociedade aberta, uma ação “covarde e miserável”, afirmou Erna, que considerou que a sociedade deve responder com a defesa de seus “valores mais importantes”, como a democracia, e a rejeição “ao ódio, à violência e ao terrorismo”, segundo publicou o site do governo norueguês.

Neste propósito, se insere o chamado “Centro 22 de Julho”, uma exposição que permanecerá aberta ao público, durante cinco anos, no quarteirão governamental, e que foi inaugurada em coincidência com o quarto aniversário do massacre, onde serão exibidos objetos relacionados com o ataque.

Esses objetos compreendem desde os destroços da van que Breivik detonou em Oslo, onde provocou as primeiras oito vítimas, ao distintivo policial que usou para entrar uniformizado no acampamento juvenil com o objetivo de semear o terror e abrir fogo, indiscriminadamente, contra os presentes.

É um lugar “necessário”, disse a primeira-ministra, para “transmitir às gerações futuras o que aconteceu naquele dia”, para “refletir”, para “tirar conclusões e aprender as lições do ocorrido”.

“Devemos isso às 77 vítimas inocentes, adultos e adolescentes, que perderam a vida nesse dia terrível”, concluiu a chefe de governo, que comparou a mostra em Oslo com o monumento erguido em Nova York em memória dos atentados suicidas de 11 de setembro de 2001.

Erna Solberg, que chegou ao poder em 2013 à frente de um governo de minoria sustentado através de uma aliança com o xenófobo Partido do Progresso, defendeu assim o Centro 22 de Julho, ao mesmo tempo em que convocou os cidadãos a “resistirem” ao ódio e ao fanatismo, preservando os valores da democracia.

A primeira-ministra lembrou a tragédia de todos esses “avós, pais, irmãos, esposos, namorados, colegas, amigos e vizinhos”, que naquele dia perderam seus entes queridos, em muitos casos, “o bem mais precioso de suas vidas”.

No entanto, a premiê também advertiu sobre a radicalização presente na atual sociedade norueguesa, lembrou os ataques do fundamentalismo islâmico na França, na Dinamarca e, nesta mesma semana, na Turquia, e alertou contra aqueles que decidem deixar seu país para se alistar “como combatentes” do jihadismo.

A abertura da exposição envolveu muita polêmica, já que alguns familiares das vítimas consideram que a mesma dá protagonismo excessivo à figura de Breivik.

Após o evento de abertura das homenagens, foi realizado um ofício religioso, seguindo o mesmo formato de aniversários anteriores, na catedral de Oslo, o mesmo templo que foi envolvido por um mar de flores nos dias posteriores aos atentados, que foram depositadas espontaneamente pelos cidadãos noruegueses em meio à comoção pessoal e coletiva.

Além disso, foi realizada uma cerimônia emotiva em memória das vítimas da ilha de Utoeya, que, assim como em aniversários anteriores, foi o ponto mais sensível do dia.

Dias antes do aniversário, o nome de Breivik tinha retornado às manchetes da imprensa do país depois que o mesmo recebeu uma autorização da Justiça para estudar ciências políticas à distância, dentro da cela de isolamento onde cumpre sua pena de 21 anos de prisão, que podem ser prorrogados de forma indefinida. EFE

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