Justiça autoriza quebra do sigilo bancário da Petrobras e de ex-diretor

  • Por Agencia EFE
  • 08/05/2014 19h55
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Rio de Janeiro, 8 mai (EFE).- A Justiça Federal do Paraná autorizou nesta quinta-feira a quebra do sigilo bancário da Petrobras nas transações financeiras realizadas a partir de contratos firmados para a construção da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco.

O juiz federal Sergio Moro concedeu um prazo de 20 dias para que a estatal entregue informações sobre o empreendimento, alvo de suspeitas de superfaturamento e que está sendo investigado pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da União.

A construção desta usina, com uma capacidade projetada para processar 230 mil barris diários de petróleo a partir do próximo ano, exigiu investimentos de cerca de US$ 18 bilhões, apesar de seu orçamento inicial ser quase dez vezes inferior.

A refinaria foi concebida em um acordo entre Brasil e Venezuela pelo qual a Petrobras teria 60% do capital e a companhia petrolífera venezuelana PDVSA os 40% restantes, mas a empresa do país vizinho nunca fez qualquer contribuição e terminou excluída do projeto.

A quebra do sigilo bancário sobre as operações para a construção da Abreu e Lima foi determinado em desenvolvimento do processo de investigação contra uma organização acusada de ter lavado cerca de R$ 10 bilhões de dinheiro ilícito.

A polícia deteve no último mês de março o doleiro Alberto Youssef, conhecido por sua amizade com importantes políticos, sob a acusação de ser o chefe dessa organização criminosa.

No marco das investigações sobre lavagem de dinheiro, a polícia também deteve o ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, que durante muitos anos foi um dos principais executivos da empresa.

Costa foi detido pelos supostos vínculos que uma empresa de consultoria de sua propriedade tinha com membros dessa máfia, acusada de lavar dinheiro procedente da corrupção, evasão de divisas, contrabando de pedras preciosas e tráfico de drogas, entre outros delitos.

O executivo da Petrobras, além disso, era o responsável por todos os contratos para a construção da refinaria Abreu e Lima.

A polícia suspeita que algumas transferências de terceirizadas da Petrobras a empresas de propriedade de Youssef correspondem a propinas pagas para acessar os contratos.

A ordem judicial contra Petrobras também quebra o sigilo bancário de Costa, de quatro de seus parentes e das empresas GFD Investimentos e Sanko Sider e Sanko Serviços de Pesquisa.

Segundo o juiz que ordenou a medida, o objetivo é rastrear o destino de todos os recursos usados na construção da refinaria e determinar se alguma parte alimentou a rede de corrupção investigada. EFE

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