Lágrimas por policial assassinado e protesto contra prefeito de NY em funeral

  • Por Agencia EFE
  • 04/01/2015 19h47
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Nova York, 4 jan (EFE).- Milhares de policiais se despediram neste domingo em Nova York do companheiro Wenjian Liu, assassinado em 20 de dezembro, em uma singela cerimônia marcada pelas lágrimas do pai e da viúva do detetive morto, além das dezenas de agentes que voltaram a dar as costas para o prefeito Bill de Blasio.

Não foi um protesto grande como o ocorrido no funeral de Rafael Ramos, o outro policial assassinado a sangue frio pelo afro-americano Ismaaiyl Brinsley. Mas foi mais uma vez destaque, algo que o chefe do Departamento de Polícia de Nova York, William Bratton, quis evitar ao divulgar um comunicado interno para seus subalternos.

Na nota, Bratton advertiu – em vão – que o “funeral de um herói é um momento de aflição e não de queixa”.

“Não é uma ordem ou uma ameaça com expedientes disciplinas. Mas uma lembrança de que quando vestem o uniforme deste departamento, se comprometem com a tradição, a honra e a decência”, acrescentou.

Dessa forma, a crise entre o prefeito entre os sindicatos de Polícia segue em aberto, apesar das reuniões realizadas nesta semana, e de o chefe do Executivo ter aparecido de surpresa ontem no velório de Liu sem provocar manifestações contrárias.

Os agentes que ignoraram Bratton voltaram a mostrar indignação porque o prefeito apoiou manifestações contra a brutalidade policial que ocorreram em Nova York.

Segundo os sindicatos, a atitude de De Blasio favoreceu o clima de revolta que levou Brinsley a assassinar Liu e Ramos como forma de vingança pela morte de Eric Garner e Michael Brown, ambos afro-americanos e mortos por policiais brancos.

Consciente da situação delicada, o prefeito, além de destacar a trajetória exemplar de Liu, pediu a recuperação do espírito de conciliação e harmonia, algo que considera como uma das características de Nova York.

A cerimônia, adiada até hoje para a chegada que parentes de Liu chegassem da China, começou às 11h locais (15h de Brasília), mas cinco horas antes, apesar do frio e da chuva, milhares de policiais começaram a chegar ao local.

Não foram ao funeral o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, nem o governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo, que cancelou a presença por causa da morte de seu pai, Andrew Cuomo.

O diretor do FBI, James Comey, fez o discurso inaugural e destacou que 115 policiais foram assassinados no último ano, fato descrito como um “impactante aumento em relação a 2013”.

Já Bratton afirmou que Liu era um homem que encontrou na polícia a possibilidade de fazer do mundo um lugar mais seguro.

“É o que fazem os policiais, embora sejamos expostos a todos os perigos”, afirmou.

Após os discursos das autoridades, o pai de Liu falou em chinês, ajudado por um tradutor. Sem conter as lágrimas, afirmou que era o “dia mais triste de sua vida”.

“Não tenho palavras para expressar a minha dor. Meu único filho se foi. Era o melhor filho, o melhor marido, nosso policial favorito e nosso melhor amigo. Estamos muito orgulhosos de ti”, acrescentou.

A cerimônia foi finalizada pela esposa de Liu, Pei Xia Chen, com quem o policial tinha se casado há apenas dois meses. Inconsolável, ela falou que o marido era sua “alma gêmea”. EFE

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