ONU pede mais para cumprir metas em redução de fome e mortalidade infantil

  • Por Agencia EFE
  • 07/07/2014 14h18

Nações Unidas, 7 jul (EFE).- A um ano e meio do fim do prazo dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, a ONU pediu nesta segunda-feira mais esforços para atingir as metas em vários temas, especialmente na luta contra a fome e a desnutrição, na mortalidade materna e infantil e na proteção do meio ambiente.

A ONU fez uma convocação por ocasião da apresentação de seu relatório 2014 sobre os objetivos, no qual destaca os progressos em algumas das metas – que já foram alcançadas ou estão muito perto de ser – e no qual ressalta a necessidade de fazer mais em outras.

“As conquistas foram desiguais entre objetivos, entre regiões e países e entre grupos de população. A menos que se responda a esses desequilíbrios com intervenções mais contundentes e focadas, algumas metas não serão atingidas”, advertiu o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Esse é o caso das políticas contra a fome, onde se requerem “esforços adicionais imediatos” para conseguir o objetivo de reduzir pela metade a porcentagem de pessoas com nutrição insuficiente entre 1990 e 2015, diz o documento.

Segundo a ONU, essa porcentagem baixou de 24% no período 1990-1992 para 14% em 2011-2013, mas nos últimos anos os avanços perderam força.

Também se necessitam mais progressos em matéria de nutrição infantil, pois apesar à melhora, ainda um de cada quatro menores de 5 anos tinha em 2012 um atraso no crescimento por carências alimentícias.

Para a ONU, resulta “inaceitável que 162 milhões de crianças / meninos sofram ainda de nutrição insuficiente crônica”.

O relatório, apresentado hoje por Ban, também reivindica mais esforços na redução das mortalidades infantil e materna, especialmente para acabar com mortes por doenças que podem ser facilmente prevenidas.

Além disso, pede progressos em áreas muito concretas, como investimentos em saneamento para reduzir o número de pessoas obrigadas a defecar ao ar livre, um problema que expõe a riscos sanitários a muitas comunidades.

Segundo dados da ONU, desde 1990 mais de um quarto da população mundial teve acesso a instalações sanitárias melhoradas, mas ainda há 1 bilhão de pessoas que defecam ao ar livre.

O acesso das crianças à educação primária também continua sendo um assunto pendente, pois embora a situação tenha melhorado na última década, nos últimos anos os progressos se estagnaram.

Assim, em 2012 ainda havia 58 milhões de crianças que não iam à escola, metade delas em regiões afetadas por conflitos.

Por último, a ONU destaca a existência de importantes tendências que ameaçam a sustentabilidade do meio ambiente.

Assim, organismo lembra que as emissões globais de dióxido de carbono (CO2) continuam em tendência de alta e que em 2011 foram quase 50% mais altas que em 1990.

Além disso, todos os anos perdem-se milhões de hectares de florestas, muitas espécies são empurradas ainda mais para a sua extinção e as fontes renováveis de água ficam cada vez mais raras.

Mas nem tudo é negativo, de fato, as Nações Unidas lembram que vários dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio já se alcançaram antes da data limite de 2015.

Por exemplo, a pobreza extrema se reduziu à metade desde 1990, havendo 700 milhões de pessoas a menos nessa situação.

Doenças como a malária e a tuberculose se recortaram de maneira espetacular, salvando a vida de milhões de pessoas e fazendo com que os objetivos fixados para 2015 estejam ao alcance se se mantiverem as atuais tendências.

“Essas conquistas mostram que a ação conjunta dos governos, a comunidade internacional, a sociedade civil e o setor privado podem marcar a diferença”, assinalou Ban em sua apresentação.

O diplomata coreano adiantou ainda algumas das chaves que segundo sua opinião deve estar incluída na próxima agenda global de desenvolvimento, atualmente em negociação e que substituirá a partir de 2015 os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

Entre elas, apontou a luta contra as “crescentes desigualdades” tanto em países ricos como pobres, as medidas contra a mudança climática e a promoção de um desenvolvimento sustentável e justo. EFE

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