Governo precisa manter privatização da Eletrobras
Venda da joia da coroa sinalizará que o governo está comprometido com a responsabilidade fiscal e que não abandonou programa de desestatização
No programa de privatizações do governo, a joia da coroa é a Eletrobras. A maior empresa de energia elétrica do país é uma sobrevivente de um sistema que já foi quase todo estatal. Hoje, depois de mais de duas décadas de privatizações, 60% por cento das empresas de geração de energia no país são privados, assim como 85% das linhas de transmissão e as principais distribuidoras. Mesmo assim a Eletrobras, apesar de anunciada ano após ano como privatizável, segue estatal. Vender a empresa é visto no mundo político e no financeiro como um sinal de que o programa de privatizações está de pé — e é por isso que repercutiu tão mal o anúncio de que o presidente da companhia, Wilson Ferreira Júnior, pediu demissão na segunda-feira.
No cargo desde 2016, atravessando os governos Temer e Bolsonaro, ele vinha preparando a privatização da empresa. Mesmo alegando que sai por questões particulares, o gesto foi visto como sinal de que as desestatizações estão em banho-maria. Como resultado, quase 10% de quedas das ações da Eletrobras na Bolsa nesta terça-feira, 26. Mas o governo não deveria abandonar os planos de privatizá-la. Pelo contrário, precisa manter o programa — ainda mais agora. Primeiro, pelos valores envolvidos: a privatização traria para os cofres públicos R$ 47 bilhões, valor de mercado da empresa.
Eletrobras
- Ano de fundação: 1962
- Subsidiárias: Furnas, Itaipu (50%), Eletronorte, Angra 1 e Angra 2
- Valor de mercado: R$ 47,5 bilhões
- Ação na B3 em 26/1: -9,6%
Ao contrário dos Correios, que têm uma dívida de R$ 14 bilhões — e que o governo precisa vender para se livrar do prejuízo —, a Eletrobras é uma empresa lucrativa. Tem subsidiárias como Furnas e metade da usina de Itaipu, além de outras 48 hidrelétricas. Dá lucro, e lucro consistente.
Resultados
- 2016: R$ 3,4 bilhões
- 2017: -R$ 1,7 bilhão
- 2018: R$ 13,1 bilhões
- 2019: R$ 10,7 bilhões
Em dois anos, saiu de um prejuízo de R$ 1,7 bilhão, em 2017, para um lucro de mais de R$ 10 bilhões em 2019. Faltam os números de 2020. O governo pode ganhar mais dinheiro com a venda e ajudar a reduzir a maior preocupação de quem investe no Brasil hoje: a dívida pública, que disparou com os gastos com a Covid-19, mas não só. Daria ao mercado um recado poderoso sobre o compromisso com a responsabilidade fiscal, melhorando o ambiente de negócios. Por último, ajudaria o Estado a reduzir consideravelmente seu peso na economia. Esse, um aspecto em que o país sairia ganhando como um todo.
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