Tunísia lembra com tristeza 59º aniversário de independência

  • Por Agencia EFE
  • 20/03/2015 07h52

Túnis, 20 mar (EFE).- A Tunísia lembra nesta sexta-feira com tristeza e coragem o 59º aniversário de sua independência, ainda abatido pelo atentado jihadista que na quarta-feira matou 23 pessoas e atingiu um dos pilares de sua estabilidade democrática e de sua rápida recuperação econômica: o turismo.

Em 20 de março de 1956, após um quarto de século de luta contra o colonialismo francês, o primeiro presidente do país, Habib Burguiba, inundou as ruas do país de alegria ao fazer a declaração de independência.

Esse antiga alegria se misturava hoje nas mesmas ruas de uma Tunísia modernizada com a indignação pelo atentado, que foi reivindicado em uma gravação de vídeo pelo Estado Islâmico.

“Hoje é o dia de levar esta bandeira e dizer aos tunisianos: não estragarão nosso futuro”, explicava Moez, um jovem advogado de 30 anos que passeava orgulhoso com a insígnia nacional na lapela pela rua que leva o nome do primeiro presidente, no centro da cidade.

“A Tunísia fez a revolução, sofremos quatro anos de uma transição muito difícil. Não podemos deixar que nos roubem, temos que continuar trabalhando”, sublinhou.

Menos condescendente era Adel, um taxista que tem no turismo um de seus principais meios de vida.

“Querem destruir o país, nos arruinar. Não são muçulmanos, radicais, nem nada, são simplesmente terroristas. E o terrorismo não faz parte da cultura da Tunísia”, afirmou.

Na quarta-feira um jovem de cerca de 20 anos, armado com um fuzil, abriu fogo contra um grupo de turistas que estavam em um ônibus no estacionamento do museu Bardo, o mais importante da Tunísia.

Após os disparos, que deixaram sete mortos, os atacantes fizeram vários reféns e se entrincheiraram em um jardim entre o museu e o edifício vizinho do parlamento, onde depois entraram.

Na operação policial morreram outras 14 pessoas mais os dois terroristas.

Desde então, o cancelamento de voos e hotéis aconteceu em cascata.

A maioria dos cruzeiros, principal alimento da indústria do turismo em Tunísia, cancelou a escala de dois dias que normalmente era feita no país norte-africano durante as viagens pelo litoral mediterrânea.

“É uma enorme desgraça. Damos este ano por perdido”, disse hoje com tristeza um operador de turismo.

O ataque foi a constatação de um temor que o novo governo tunisiano sentia desde que no final de janeiro assumiu o primeiro governo pós transição: o auge do jihadismo, por contágio de seus países vizinhos, especialmente a Líbia.

O secretário de Estado de Assuntos de Segurança, Rafik Chelly, confirmou nas últimas horas que os autores se formaram na Líbia junto ao ramo do Estado Islâmico naquele país e que entraram na Tunísia clandestinamente em dezembro.

“Sabemos que treinaram em algum dos campos para tunisianos takfiries (ramo ultrarradical do Islã) da Líbia, em Sabratam, Bengazi ou Derna”, esta última cidade dominada pelo EI no leste da Líbia, explicou Chelly.

Chelly admitiu que estavam no radar da polícia, mas que não cogitavam que estivessem planejando um ataque desta envergadura.

Vinte e quatro horas depois do ataque, forças de Segurança tunisianas anunciaram nove detenções, quatro delas estavam sendo interrogadas por sua suposta participação no atentado e outras cinco por terem dado apoio e cobertura à célula.

Os agentes não descartaram que os terroristas tenham tido apoio logístico do grupo local Ansar al Sharia, estabelecido na região de Kaserin, parte abrupta e montanhosa na fronteira com a Argélia, onde se concentram jihadistas vindos de vários países do Sahel. EFE

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