Vice da Argentina se diz “vítima de gestores” em compra irregular de carro
Buenos Aires, 23 jul (EFE).- O vice-presidente argentino, Amado Boudou, se negou nesta quarta-feira a se pronunciar verbalmente com o magistrado que o investiga por suposta falsidade na documentação de um automóvel de sua propriedade, e se limitou a apresentar um documento no qual aponta como responsáveis “os gestores” que realizaram os trâmites.
O juiz instrutor da causa, Claudio Bonadío, acusa Boudou de “ter transferido irregularmente para seu nome, mediante documentação falsa”, um automóvel Honda comprado há cerca de 20 anos.
Em uma mudança de radicação, supostamente foram falsificados dados dos documentos do veículo.
No documento apresentando ao magistrado, o vice-presidente culpa “os gestores encarregados” da operação de falsificar “a assinatura” e estabelecer seu DNI, “fatos que passaram por análise de peritos e que foram provados”, segundo indicou a vice-presidência argentina em comunicado.
O texto especifica que a causa que Bonadío tramita se refere a um automóvel Honda que foi adquirido pelo vice-presidente em novembro de 1993 “sem que esteja em dúvida a aquisição e a titularidade do veículo”.
“Já que o veículo era usado, ao ser realizada a transferência para seu nome, os gestores encarregados falsificaram a assinatura e forjaram o DNI”, prossegue o texto.
“Dado que o trâmite de transferência tem por objeto pôr o automóvel em nome de Amado Boudou, fica óbvio que ele não teve como motivação ocultar o bem, mas, o contrário”, acrescenta.
O vice-presidente compareceu hoje aos Tribunais depois que Bonadío adiou o depoimento em duas ocasiões a pedido da defesa.
Após cinco anos de investigação, o magistrado reativou a causa na qual já foram processados há dois anos os gestores que intervieram na operação.
O automóvel em questão era utilizado por Agostiniana Seguín, ex-companheira do vice-presidente, que já foi interrogada por Bonadío.
O veículo, além disso, faz parte de uma disputa legal entre Boudou e seu ex-esposa, Daniela Andriuolo, que, como parte da divisão de bens após o divórcio, reivindica a metade do valor.
Segundo a imprensa local, na documentação constaria falsamente que Boudou comprou o automóvel antes de seu casamento com Daniela.
O vice-presidente é processado, além disso, por suposto suborno passivo e negociações incompatíveis com seu cargo em relação à suposta compra irregular de uma empresa gráfica quando ocupava a pasta de Economia, em uma causa que está em mãos do juiz Ariel Lijo.
Amado Boudou deixou esse Ministério após as eleições de 2011 para ocupar a vice-presidência, mas as denúncias por seu suposto envolvimento em escândalos de corrupção ofuscaram sua carreira política.
Nas últimas semanas, a oposição argentina e uma minoria governista solicitaram que o vice-presidente tire uma licença até que fique clara sua responsabilidade nas causas abertas contra ele. EFE
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