Deolane tem prisão convertida em preventiva após audiência de custódia
A influenciadora e advogada Deolane Bezerra teve prisão em flagrante convertida em preventiva após audiência de custódia nesta quinta-feira (21), na Vara das Garantias, em Osasco, em São Paulo. A informação foi noticiada pela CNN Brasil e confirmada pela Jovem Pan.
Conforme comunicado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), a audiência de custódia verificou se houve alguma irregularidade no cumprimento do mandado de prisão expedido contra Deolane. A Corte informou que não foi identificada nenhuma. Portanto, a influenciadora foi encaminhada para a Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte da capital.
Operação Vérnix
Deolane foi um dos alvos da Operação Vérnix, deflagrada em 21 de maio pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Civil. A ação apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo os investigadores, Deolane teria atuado como “caixa” da facção e recebido valores provenientes do PCC por meio de uma empresa de transportes apontada como braço financeiro da organização criminosa.
Além de Deolane, os outros alvos da operação foram:
- Marco Herbas Camacho, o Marcola, chefe do PCC;
- Alejandro Camacho, irmão de Marcola;
- Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha do líder da facção;
- Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marcola;
- Everton de Souza, suposto operador financeiro da organização criminosa.
Marcola e Alejandro já estão presos na Penitenciária Federal de Brasília. Ao todo, a Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão. Também foram bloqueados mais de R$ 327 milhões em bens e valores e sequestrados 17 veículos, incluindo carros de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões, e quatro imóveis ligados aos investigados.
A apuração começou em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material tinha referências à estrutura interna do PCC, ordens da cúpula da facção e possíveis ataques contra agentes públicos.
A partir das investigações, a Polícia Civil instaurou três inquéritos que identificaram uma empresa de transportes usada, segundo os investigadores, para ocultar e movimentar recursos ilícitos da facção.
De acordo com o inquérito, a Lopes Lemos Transportes Ltda, conhecida como “Lado a Lado Transportes”, teria movimentado mais de R$ 20 milhões, com incompatibilidade milionária entre os valores declarados ao Fisco e as movimentações financeiras identificadas pelos investigadores. A Justiça reconheceu, em sentença anterior, que a empresa foi utilizada como instrumento de lavagem de capitais em benefício do PCC.
Como PCC teria operado esquema
As investigações indicam que a operação criminosa era comandado de dentro do sistema penitenciário federal por Marcola e por seu irmão. Conversas encontradas em celulares apreendidos revelaram que familiares e pessoas próximas atuavam na administração financeira da transportadora, no repasse de ordens e na divisão dos lucros obtidos pela facção.
Segundo a polícia, Paloma Camacho e Leonardo Alexsander Camacho aparecem como beneficiários e intermediários das movimentações financeiras. Já Everton de Souza, chamado como “Player”, seria responsável por orientar o direcionamento dos repasses financeiros da organização criminosa.
Conforme o relatório policial, Deolane teria utilizado sua estrutura financeira para inserir os recursos ilícitos no sistema financeiro formal.