Caso Master: nova fase da Operação Carbono Oculto mira esquema de mais de R$ 120 mi
O Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), deflagrou nesta quinta-feira (24) a terceira fase da Operação Carbono Oculto, em parceria com a Receita Federal. A nova etapa mira uma complexa estrutura financeira e societária que, segundo as investigações, teria sido utilizada para movimentar mais de R$ 120 milhões.
Ao todo, são cumpridos 27 mandados de busca e apreensão em sete estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo.
Também participam da operação a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo e a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. De acordo com o Ministério Público, os recursos teriam circulado por meio de contas de passagem, com dinheiro transitando por empresas ligadas à cadeia de combustíveis, incluindo companhias do setor de petróleo, usinas e distribuidoras.
A investigação aponta que o grupo teria criado uma estrutura financeira e societária complexa para assumir o controle de uma distribuidora e, ao mesmo tempo, ocultar patrimônio e dificultar o rastreamento dos recursos. Entre os mecanismos investigados estão fundos de investimento, empresas de fachada e operações financeiras consideradas atípicas pelos investigadores.
Beto Louco e Primo são apontados como líderes
Segundo o MPSP, a estrutura seria liderada por Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamed Rossen Murad, o Primo. Os dois são apontados pelos investigadores como chefes da organização criminosa. Nesta terceira fase, porém, eles não estão entre os alvos dos mandados de busca e apreensão.
Os nomes já haviam aparecido na primeira fase da Carbono Oculto, quando foram apontados como integrantes da liderança de um esquema investigado por supostas fraudes no setor de combustíveis, lavagem de dinheiro e vínculos com o PCC.
A nova etapa da investigação concentra esforços principalmente na engenharia financeira utilizada pelo grupo, com o objetivo de identificar como os recursos eram movimentados, ocultados e incorporados ao patrimônio dos investigados.
Alvo ligado ao sistema financeiro
Entre os alvos da operação está o Banco Genial, relacionado a ativos do Banco Master, de Daniel Vorcaro. A investigação apura a utilização de estruturas do mercado financeiro para movimentar recursos e dificultar a identificação de sua origem e de seus beneficiários finais.
Com as buscas realizadas nesta quinta-feira, os investigadores esperam apreender documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos que possam ajudar a reconstruir o caminho percorrido pelos mais de R$ 120 milhões.
O material recolhido será analisado pelo Ministério Público e pelos demais órgãos envolvidos na operação para identificar novas pessoas, empresas e estruturas que possam ter participado do esquema investigado.
Outro lado
Por meio de nota, o Banco Genial afirmou que Humberto Tupinambá, um dos alvos da operação, não integra a diretoria e não é sócio da instituição desde maio deste ano, quando ocorreu sua destituição. “Todas as informações relacionadas às operações envolvendo o Fundo Radford, inclusive aquelas relacionadas às empresas Berna e Branson Holdings, que estavam em poder da instituição foram fornecidas pela própria Genial ao GAECO-SP. Em relação às operações mencionadas, também foram realizadas as comunicações cabíveis ao COAF, nos termos da legislação e da regulamentação aplicáveis”.
A instituição também alega que “atuou dentro das atribuições que lhe competiam, observando os procedimentos, normas e regulamentos aplicáveis, considerando as informações disponíveis à instituição à época”.
A Jovem Pan tenta localizar a defesa de Humberto Tupimambá. O espaço está aberto para manifestação.
Veja abaixo nota na íntegra:
O Banco Genial esclarece que Humberto Tupinambá não integra a Diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026, quando ocorreu sua destituição.
Todas as informações relacionadas às operações envolvendo o Fundo Radford, inclusive aquelas relacionadas às empresas Berna e Branson Holdings, que estavam em poder da instituição foram fornecidas pela própria Genial ao GAECO-SP. Em relação às operações mencionadas, também foram realizadas as comunicações cabíveis ao COAF, nos termos da legislação e da regulamentação aplicáveis.
No âmbito dessas operações, a Genial atuou dentro das atribuições que lhe competiam, observando os procedimentos, normas e regulamentos aplicáveis, considerando as informações disponíveis à instituição à época.
A partir do conhecimento dos fatos, a instituição adotou medidas adicionais de governança e controle, incluindo a instauração de processo de Inspetoria interna, a revisão da governança das operações de crédito, o afastamento do então diretor dos respectivos processos decisórios e sua posterior destituição. A Genial também contou com o apoio de especialistas externos para a revisão e o aprimoramento de seus processos e controles.
Após a deflagração da Operação Carbono Oculto, a Genial renunciou à administração do Fundo Radford e manteve sua postura de colaboração com as autoridades, fornecendo as informações e os documentos solicitados.
A instituição permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações e prestar todos os esclarecimentos que se façam necessários.
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