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David de Tarso

O que de fato deveria tratar a certificação digital nas redes sociais?

Em meio ao anúncio de Mark Zuckerberg de descontinuar a verificação de fatos na Meta nos Estados Unidos, golpes são aplicados por meio dos aplicativos sem qualquer restrição pelo mundo

David de Tarso

Placa da Meta em frente à sede da empresa em Menlo Park, Califórnia
Meta terminates fact-checking program JOHN G. MABANGLO/EFE/EPA

O detentor do WhatsApp, Instagram, Facebook, Messenger e Threads, Mark Zuckerberg, gerou bastante repercussão ontem (7) ao falar que mudará o sistema de verificação de fatos para notas comunitárias, assim como faz o X, antigo Twitter. Alguns viram o anúncio com preocupação sob a ótica de que fake news sejam propagadas pelas redes sociais administradas pela Meta. A empresa busca uma alternativa que permita aos usuários interagir e avaliar o conteúdo de maneira mais colaborativa. Mas as perguntas que ficam são: quantas vezes você viu anúncios falsos com uso de inteligência artificial com imagem e voz de artistas e pessoas famosas sem qualquer restrição? Quantos jogos ilegais ou rifas, inclusive impulsionados, que fazem milhares de vítimas, sendo propagados na rede você já recebeu? Influencers cometendo crimes de trânsito e se promovendo por meio disso para gerar cada vez mais engajamento também é comum de se ver.

Mas, por outro lado, muitas vezes conteúdos que trazem opiniões de determinados campos ideológicos são os que sofrem restrições quanto à postagem. A cobrança, que deveria ser no âmbito de evitar milhões de vítimas de golpes, se concentra em censurar essas publicações. Este, sim, deveria ser o foco não só das redes administradas pela Meta, mas também pelas outras Big Techs.

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Outra disposição que deveria existir por essas empresas é de contribuição as autoridades para preservar vidas. Quantas mensagens de atos violentos em escolas com episódios de bullying são propagadas pelas redes e absolutamente nada é feito!? Membros das forças de segurança solicitam informações, pedem bloqueio de contas que disseminam isso, mas muitas vezes as operadoras sequer respondem às reivindicações. E quando algo é feito, já pode ter sido tarde demais. Por isso, numa sociedade onde a opinião do outro é motivo de preocupação, a atenção deveria estar voltada para estas questões que atentam contra a vida e causam prejuízos significativos à população.

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