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David de Tarso

Operação Última Parada prende vereador do PT, empresários e integrantes do PCC

Investigação aponta infiltração da facção criminosa na Transunião; Justiça bloqueia R$ 194 milhões e afasta diretoria da concessionária

David de Tarso

Operação Última Parada prende vereador do PT, empresários e integrantes do PCC
Policiais do Garra durante a Operação Última Parada Jovem Pan / David de Tarso

Uma força-tarefa formada pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (25), a Operação Última Parada, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro supostamente operado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio da empresa de transporte coletivo Transunião. A ação resultou na prisão de cinco investigados, entre eles o vereador do PT Senival Moura, integrantes da facção criminosa e o presidente da concessionária.

Desde as primeiras horas do dia, centenas de agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumprem mandados judiciais em endereços da cidade de São Paulo, da Região Metropolitana e do município de Extrema, em Minas Gerais.

A investigação teve início após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, executado em 2020. Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, as apurações reuniram provas consideradas robustas de que a empresa era utilizada pelo PCC para ocultar e movimentar recursos provenientes de atividades criminosas.

De acordo com os investigadores, apenas em 2025 a Transunião recebeu mais de R$ 300 milhões do sistema de transporte público paulistano. A Justiça determinou o bloqueio e sequestro de R$ 194 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados e à empresa, além da apreensão de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.

O Poder Judiciário também determinou o afastamento imediato dos diretores da concessionária e comunicou à Prefeitura de São Paulo para que sejam adotadas as medidas administrativas, regulatórias e contratuais necessárias para garantir a continuidade do serviço à população. Entre as possibilidades estão a intervenção administrativa na empresa ou outras ações para assegurar a operação regular das linhas de ônibus.

Núcleo paralelo

Segundo o MPSP e a Polícia Civil, a investigação identificou a existência de um núcleo paralelo que exercia controle sobre decisões estratégicas da Transunião, incluindo movimentações financeiras destinadas a integrantes do PCC.

Outro ponto que chamou a atenção das autoridades foi a evolução patrimonial da companhia. Conforme a investigação, o capital social da empresa saltou de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões, sem que a origem dos recursos utilizados para essa expansão fosse devidamente esclarecida.

Os investigadores também identificaram conexões entre o esquema financeiro apurado na Operação Última Parada e estruturas já investigadas em outras ações de combate ao crime organizado, como as operações Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi. Esta última foi conduzida pela Polícia Federal e apurou uma rede de tráfico internacional de drogas envolvendo o PCC e a organização mafiosa italiana ’Ndrangheta.

Histórico de investigações

A nova ofensiva ocorre há pouco mais de um ano após a deflagração da Operação Fim da Linha, realizada pelo Gaeco em 2024. Na ocasião, as autoridades desarticularam duas organizações criminosas que utilizavam as empresas de ônibus UPBus e Transwolff para lavar recursos oriundos do tráfico de drogas, roubos e outros crimes atribuídos ao PCC.

As duas empresas eram responsáveis pelo transporte de cerca de 700 mil passageiros por dia na capital paulista e receberam mais de R$ 800 milhões da Prefeitura de São Paulo somente em 2023.

As investigações da Operação Última Parada prosseguem para identificar outros envolvidos e aprofundar a apuração sobre a atuação do crime organizado no sistema de transporte coletivo da maior cidade do país.

A coluna conversou com o advogado de defesa da Transunião, Anderson Minichillo, que negou as acusações. Ele ainda não teve acesso aos autos, mas garantiu que a empresa teve um crescimento financeiro devido ao investimento de cooperados e provará que não há qualquer vínculo da Transunião com a facção criminosa.

A coluna tenta contato com a defesa do vereador e dos outros citados na reportagem, assim que tivermos retorno, o texto será atualizado.

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e da SPTrans, afirmou que a operação dos ônibus da empresa Transunião segue funcionando, com a frota atendendo normalmente as linhas sob sua responsabilidade e sem prejuízo ao atendimento da população. O município aguarda a notificação oficial da decisão judicial para definir os próximos passos.