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Eliseu Caetano

Visita sem cerimônias: governo Trump se prepara para receber Lula em agenda pesada

Em Washington, a avaliação é de que o encontro deve seguir o padrão atual da Casa Branca para reuniões bilaterais de alto nível

Eliseu Caetano

"Muito coisa boa resultará desta parceria", diz Trump sobre Lula
"Muito coisa boa resultará desta parceria", diz Trump sobre Lula Ricardo Stuckert / PR

Fontes ouvidas por esta coluna na capital americana e no Itamaraty indicam que a visita do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva a Washington, onde deve se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, será marcada por um formato mais direto e pragmático, sem grandes cerimônias de Estado.

Em Washington, a avaliação é de que o encontro deve seguir o padrão atual da Casa Branca para reuniões bilaterais de alto nível: pouco protocolo, agenda fechada e foco absoluto em resultados concretos. A tendência, segundo essas fontes, é que não haja grandes eventos públicos, desfiles militares ou cerimônias simbólicas, como já ocorreu em outras visitas recentes, como a do Rei Charles III, na semana passada.

A lógica na capital americana é clara: esse encontro será tratado como reuniões de trabalho, com menos pompa e mais negociação política e econômica.

E a pauta promete ser intensa.

Do lado dos Estados Unidos, Donald Trump deve adotar uma postura dura e objetiva. Segundo interlocutores próximos à Casa Branca, o principal interesse americano está no acesso a minerais estratégicos, com destaque para as chamadas terras raras, consideradas essenciais para setores como defesa, tecnologia e semicondutores. Em Washington, esse tema é tratado como prioridade de segurança nacional.

Trump também deve trazer à mesa temas sensíveis no campo político, incluindo discussões sobre ambiente institucional e eleições no Brasil, assunto que tende a ser abordado dentro de um contexto mais amplo das relações bilaterais, ainda que de forma diplomática.

Na área econômica, entram na lista pontos como barreiras comerciais, regulação digital e maior abertura de setores estratégicos para empresas americanas.

Do lado brasileiro, fontes no Itamaraty avaliam a visita como uma oportunidade de reposicionamento diplomático em um cenário global mais competitivo, buscando manter diálogo aberto com Washington sem alinhamento automático às prioridades dos Estados Unidos.

A relação entre Lula e Trump já teve momentos de maior aproximação. Durante encontros multilaterais, especialmente na Assembleia Geral da ONU, diplomatas chegaram a relatar uma espécie de “química” inicial entre os dois líderes, com um diálogo mais fluido e menos confrontacional em público.

Mas essa percepção não se manteve. Nos meses seguintes, os atritos entre Brasil e Estados Unidos voltaram a aparecer em temas comerciais, ambientais e políticos, recolocando a relação em um patamar mais pragmático e, em alguns momentos, tenso.

Agora, com a visita confirmada, a avaliação em Washington e Brasília é a mesma: será uma reunião de baixa cerimônia e alta pressão, com pouco espaço para simbolismo e foco total em interesses estratégicos dos dois lados.