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Patrícia Costa

Limite de carbono para evitar o colapso climático pode ser rompido até 2027

Estudo global alerta: se emissões continuarem no ritmo atual, o planeta perde a chance de manter o aquecimento em 1,5 °C

Patricia Costa

Reprodução/YouTube
São Paulo Poluição

O mundo está a dois anos de romper o limite de carbono que ainda permitiria manter o aquecimento global abaixo de 1,5 °C. O alerta, feito por uma coalizão internacional de cientistas, reforça o cenário de emergência climática às vésperas da COP30, que será realizada no Brasil. Segundo o estudo, o “orçamento de carbono” restante — ou seja, a quantidade de CO₂ que ainda podemos emitir sem estourar a meta mais ambiciosa do Acordo de Paris — é de apenas 60 a 120 bilhões de toneladas. Em 2023, o mundo lançou cerca de 37 bilhões de toneladas na atmosfera. Se nada mudar, esse teto será atingido até 2027. A meta de 1,5 °C não é um número aleatório. Ela representa a fronteira entre impactos climáticos graves e consequências potencialmente irreversíveis. O aumento de ondas de calor extremas, secas, enchentes e o colapso de ecossistemas já são sentidos hoje, com 1,2 °C de aquecimento. Ao cruzar a linha de 1,5 °C, os riscos aumentam exponencialmente. O dado mais simbólico do estudo é que o planeta já viveu seu primeiro ano com temperatura média acima de 1,5 °C em 2024. E esse não deve ser um caso isolado: a tendência aponta para um aquecimento de até 2,7 °C até o fim do século, caso não haja mudanças profundas nas políticas energéticas e ambientais.

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A COP30, em Belém, será uma grande oportunidade antes desse prazo crítico. É nela que os países deverão apresentar novos planos de corte de emissões. Mas há ceticismo. Até agora, poucos compromissos foram atualizados e o financiamento climático para países em desenvolvimento continua muito abaixo do necessário. A transição energética precisa sair do discurso e entrar no ritmo da ciência. Isso significa eliminar subsídios a combustíveis fósseis, acelerar a adoção de fontes renováveis, reduzir emissões de metano e garantir justiça climática para quem mais sofre os impactos — sem ter provocado a crise. Se nada for feito agora, a COP30 pode marcar não o início da virada climática, mas o fim de uma meta que guiou o mundo nos últimos dez anos. O planeta terá ultrapassado o limite — e o futuro, antes negociado, passará a ser imposto pela realidade física de um clima fora de controle.

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