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Reinaldo Polito

Guerras e disputas políticas trazem ansiedade e incerteza

Conflito no Oriente Médio entre Israel e Hamas, além da disputa argentina entre Sergio Massa e Javier Milei, têm desdobramentos imprevisíveis 

Reinaldo Polito

Leia os jornais, qualquer um. Assista aos telejornais, qualquer um. Analise as notícias, especialmente as mais importantes. Não encontrará nenhuma informação tranquilizadora. Só dúvidas e interrogações. Embora o conflito entre russos e ucranianos tenha sumido das primeiras páginas, não significa que chegou ao fim. Longe disso. Há poucos dias, por exemplo, um míssil russo matou pelo menos 51 pessoas em um café e um mercado em horário de grande movimento. Entre as vítimas estava uma criança de apenas seis anos de idade. Ninguém sabe quando esse sofrimento terá fim. São só incertezas. A notícia da hora é sobre a guerra entre Israel e o Hamas. Alguns noticiários analisam esse conflito o tempo todo. Falam dos mortos, dos reféns, dos prédios destruídos, do armamento utilizado, do apoio que recebem de outros países. Uma tragédia que poderá marcar para sempre não apenas a vida de israelenses e palestinos, mas também de toda a humanidade. Os analistas falam, comentam, analisam, mas ninguém consegue fazer uma previsão de quando a luta chegará ao fim. Ao contrário, segundo alguns, há risco de ser deflagrada uma terceira guerra mundial, dependendo de como se comportarão os apoiadores de um lado e de outro. Mais incertezas para uma batalha com desdobramentos imprevisíveis.

A política também não poderia deixar de dar sua contribuição. Encerrado o primeiro turno das eleições argentinas, dois lados antagônicos foram credenciados a disputar a segunda fase. No dia 19 de novembro estarão disputando as famosas “boletas” o candidato peronista e ministro da Economia, Sergio Massa, que obteve 36,7% dos votos, e o ultraliberal Javier Milei, que atingiu 30% da votação. Não é possível fazer previsões sobre quem será o vencedor. Tudo dependerá de como os eleitores da terceira colocada, Patricia Bullrich, irão se comportar. Ela abocanhou fatia importante do eleitorado, chegando aos expressivos 24% dos votos. Se tiver influência na vontade dos eleitores, com o apoio que está dando a Milei poderá até se transformar na responsável pela sua vitória. Dizem alguns analistas que seus votos não serão canalizados para um lado ou outro a partir da sua orientação, mas sim de acordo com a convicção que os eleitores terão ao avaliar os prós e contras de cada concorrente. Massa foi incompetente na gestão econômica do país. A inflação superou a marca dos 138% ao ano, com previsões pessimistas de chegar ao final de dezembro acima do 170%. Não deveria ser currículo para credenciar alguém a ocupar a presidência do país.  Milei, por outro lado, tem contra si um programa revolucionário que chega a assustar parte da população. Sua proposta é a de dolarizar a economia e fechar o Banco Central. Por isso, é chamado de “El Loco”, especialmente pelos adversários que desejam desqualificá-lo.

Este é o quadro que o eleitor terá para analisar. Continuar com quem já demonstrou não ser hábil na condução das questões econômicas, com a esperança de que possa mudar radicalmente os métodos adotados até aqui. Ou, ingenuamente, dar um voto ideológico, imaginando que Massa agindo da mesma maneira os resultados serão diferentes. Seria o mesmo que dar aval a uma catástrofe. Poderá também acreditar que Milei esteja apenas se mostrando radical para estabelecer a polarização com a ideologia peronista, mas que ao se sentar na cadeira presidencial, precisando negociar com a base política para poder governar, tenha atitudes mais moderadas. Como podemos observar, também nesse tema tão relevante a dúvida é a única certeza do momento. E para não imaginar que as incertezas estão somente além das nossas fronteiras, basta olhar os programas econômicos pensados para o nosso país. Só vemos intenção de gastar, aumentar impostos e desestimular o setor produtivo. As votações no Congresso, para dar apoio aos planos governamentais, dão a impressão de atender mais aos interesses e conveniências pessoais que resolver os problemas da Nação. É só incerteza. Na verdade, pelo menos por aqui, a continuar nesse rumo, temos sim certeza do que poderá ocorrer. Siga pelo Instagram: @polito

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