A Copa mais longa da história começa hoje com recordes e dúvidas dentro e fora de campo
Quando a bola rolar às 16h (horário de Brasília) no Estádio Azteca, na Cidade do México, terá início o maior mundial de todos os tempos, pelo menos, no tamanho, já que será disputado em três países: 48 seleções, 104 jogos, sendo 72 só na primeira fase, e uma nova fase de mata-mata antes das oitavas de final. México e África do Sul reeditam a abertura da Copa de 2010, quando as duas seleções empataram por 1 a 1. Fora de campo, ativistas do país prometem protestos ao redor do estádio. Será um mundial tenso, principalmente nos Estados Unidos por causa das políticas de Donald Trump. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, apenas lamentou, por exemplo, a deportação do árbitro da Somália.
Além do jogo inaugural no Azteca, que receberá hoje a abertura pela terceira vez, depois de 1970 e 1986, entram em campo Coreia do Sul e República Checa, em Guadalajara, também pelo grupo A. A Copa longa promete quebra de recordes, goleadas históricas, mas um nível técnico duvidoso em razão da presença de seleções com pouca expressão, como Haiti, Congo, Cabo Verde, Curaçao e Uzbequistão. De qualquer forma, Messi e Cristiano Ronaldo serão os primeiros atletas com seis mundiais no currículo.
Uma coisa que eu aprendi é que não adianta fazer prognósticos antes do maior espetáculo da terra começar. Quem não se lembra do “grupo da morte” da Copa de 2014, no Brasil? A Costa Rica ficou em primeiro e o Uruguai em segundo. A Itália e a Inglaterra não passaram da primeira fase, quebrando bolões e bancas de aposta. Em 2026, é inegável que a França tem o melhor elenco. Já Argentina, atual campeã do mundo, a Espanha, a Inglaterra e Portugal estão à frente da seleção brasileira em possibilidade de título. Entretanto, o economista alemão Joachim Klement, que acertou os vencedores dos três últimos mundiais, está cravando a conquista inédita da Holanda e a eliminação do Brasil no primeiro mata-mata. Será?
A equipe de Ancelotti pode sim surpreender, creio que não vai ter o fracasso retumbante que muitos estão apostando. Como eu já destaquei, é uma Copa longa e com mais chances da zebra cruzar o gramado. Além disso, a competição vai exigir mais do físico dos atletas.
Ontem, antes mesmo da bola rolar, a Fifa promoveu os “shows da contagem regressiva” nos três países. No México, uma das apresentações foi de Andrea Bocelli. Ele esteve rodeado pelos brasileiros Bebeto e Cafu, pelo argentino Mario Kempes e pelo italiano Marco Materazzi.
Bocelli cantou a tradicional e marcante Nessun Dorma, que quer dizer “ninguém durma” em italiano, e é o nome do último ato da ópera Turandot (1926), de Giacomo Puccini. Conta a história da proclamação da princesa Turandot, determinando que ninguém deve dormir, pois todos têm de passar a noite tentando descobrir o nome do príncipe desconhecido. Para mim, é uma ópera magistral que me faz lembrar a seleção brasileira de 1970, tricampeã justamente no México. Nunca é demais lembrar que o tetra, em 1994, foi conquistado nos Estados Unidos.
Que os deuses do futebol façam com que seja uma grande Copa.