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Thiago Uberreich

A seleção de 1970 estava preparada para usar uniforme azul na Copa, se necessário

As camisas reservas também foram levadas ao México pela CBD, atual CBF

Thiago Uberreich

Time posado da Seleção do Brasil que enfrentou a Inglaterra no estádio Jalisco, no México
Copa de 70 ARQUIVO/ESTADÃO CONTEÚDO

O Museu do Futebol, localizado no Pacaembu, em São Paulo, possui um grupo de literatura e memória chamado Memofut. Nesta semana, os pesquisadores levantaram uma questão interessante: a seleção de 1970, tricampeã do mundo, teria levado ao México o segundo uniforme da cor azul? Durante os seis jogos da campanha vitoriosa na Copa, a equipe comandada por Zagallo não precisou abrir mão da camisa amarela. Entretanto, será que a CBD se preocupou com a possibilidade de enfrentar adversários que tivessem a mesma cor de uniforme? 

Confesso que eu nunca tinha lido a respeito e fui pesquisar na imprensa da época. Encontrei uma referência em uma reportagem do Jornal dos Sports de 12 de junho de 1970. A matéria, intitulada “Ladrão só queria levar a camisa do Rei” dizia o seguinte: “O que parecia impossível, tal o esquema de segurança e vigilância mantido na concentração dos brasileiros, aconteceu: deu ladrão nas Suítes Caribe. Foi um ladrão fora do comum, que não queria roubar valores, mas recordações dos brasileiros, tanto que, no balanço realizado pelo roupeiro Nocaute Jack, ele deu falta de duas camisas número 10: uma amarela, a outra azul e mais duas bolas de basquetebol e uma de voleibol. O ladrão se aproveitou da ausência dos policiais mexicanos que tomam conta dos fundos da concentração para saltar um muro de três metros e meio que separa a circulação de automóveis das Suítes Caribe de alguns terrenos baldios. Sua primeira preocupação foi encontrar uma porta aberta. E encontrou a do apartamento em que está alojado o representante da Embaixada do Brasil, Gilberto Veloso. (…) O Brigadeiro Jerônimo Bastos e o chefe da Comissão Técnica, Sr. Antônio do Passo, faziam uma ronda de rotina em volta de toda a concentração. (…) De repente, o Sr. Antônio do Passo deu de cara com o ladrão. Por incrível que pareça, o homem vestia a camisa 10 de Pelé por cima da sua, mas a azul em vez da amarela. O Brasil trouxe um jogo de camisas azuis para qualquer eventualidade de ter de mudar de uniforme. (…)”. De acordo com a reportagem, o ladrão, ao ser abordado, deu meia volta e conseguiu fugir.

O curioso é que praticamente não existem fotos dos jogadores da seleção tricampeã com tal camisa azul, apenas a amarela. De qualquer forma, esta história, curiosíssima, comprova que a CBD (atual CBF) levou uniforme reserva para Copa, mas que não precisou ser utilizado. 

Uma das imagens que simbolizam a esportividade na Copa de 1970 é a da troca de camisas entre Pelé e Bobby Moore ao final do duelo entre Brasil e Inglaterra. Na autobiografia, o Rei do futebol relatou: “Nós trocamos camisas como lembranças. Durante o jogo, ladrões arrombaram meu quarto [no hotel em Guadalajara] e levaram as camisas 10 que eu guardara para usar na Copa. Chegamos até a considerar pedir a Bobby para devolver a que eu havia lhe dado, para que eu tivesse uma para vestir contra a Romênia. Ao final não precisamos fazer isso, embora as camisas roubadas nunca tenham sido achadas”. Já a manchete principal do jornal O Globo do dia seguinte à vitória brasileira era: “Bobby Moore enxugou as lágrimas na camisa 10 do ‘Rei’ Pelé’”. O Rei, entretanto, não faz qualquer referência sobre a camisa azul.

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