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Thiago Uberreich

Derrota para Honduras em 2001 ampliou as incertezas sobre a seleção

A equipe de Luiz Felipe Scolari enfrentou turbulências até a conquista do penta, na Ásia

Thiago Uberreich

Honduras
Brasil x Honduras na Copa América EDU GARCIA/AE

A transição entre as Copas de 1998 e 2002 foi marcada por turbulências e percalços. Apesar da conquista do penta, na Ásia, a seleção brasileira teve quatro treinadores no período: Luxemburgo, Candinho, Leão, e, finalmente, Felipão. Em 2001, a equipe nacional enfrentou o pior momento na caminhada rumo ao título no ano seguinte. 

A Copa América na Colômbia por pouco não foi adiada por causa da crise na segurança pública do país. Entretanto, depois de muita polêmica e pressão dos patrocinadores, a quadragésima edição do torneio mais antigo entre seleções do planeta foi confirmada. No total, doze seleções, nove da América do Sul, mais México, Costa Rica e Honduras, chamada para substituir a Argentina em cima da hora, participaram. Para o Brasil, teria sido melhor que o torneio fosse adiado, porque o desempenho da seleção foi vexatório: 

12.07.2001 – Brasil 0x1 México – Copa América – Cali
15.07.2001 – Brasil 2×0 Peru – Copa América – Cali
18.07.2001 – Brasil 3×1 Paraguai – Copa América – Cali
23.07.2001 – Brasil 0x2 Honduras – Copa América – Manizales

Alegando a necessidade de fazer uma cirurgia no olho, Romário pediu dispensa e não esteve na Copa América. O problema é que ele não passou por nenhuma operação e foi jogar amistosos pelo Vasco. A atitude irritou Felipão, que nunca mais o convocou, apesar da pressão da torcida.

Nas quartas de final, contra Honduras, nem o torcedor mais pessimista poderia imaginar que a seleção seria desclassificada. O Brasil sofreu o primeiro gol aos 12 minutos da etapa final, em um lance contra de Belletti, e Martínez ampliou aos 49 minutos. Uma das maiores zebras que já atravessaram o caminho da camisa amarela.

Os jornais classificaram a atuação da equipe como medíocre e previam que o resultado iria aprofundar a crise no futebol brasileiro. Scolari acompanhou a partida em uma cabine de rádio no estádio em Manizales, pois estava suspenso. No intervalo, se dirigiu aos vestiários e, visivelmente nervoso, xingou um repórter que o abordou.

Depois, com a cabeça mais fria, Felipão admitiu que cometeu um equívoco tático ao escalar a equipe. Contra os hondurenhos, jogaram: Marcos; Juan, Luisão (Juninho Pernambucano) e Cris; Belletti, Emerson, Eduardo Costa (Jardel), Alex (Juninho Paulista) e Júnior; Denílson e Guilherme.

Como era de se esperar, os jornais carregaram nas tintas ao falar sobre a derrota brasileira na Copa América: Em fiasco histórico, Brasil é eliminado por Honduras” (Folha de S.Paulo), “Vexame na Colômbia: até Honduras?!” (O Estado de S.Paulo) e “Vexame histórico tira o Brasil da Copa América” (O Globo). Já a revista Placar analisou o fracasso da seguinte maneira: “Brasil fora da Copa? Não, ainda não chegamos ao fundo do poço. O fundo é não ir ao Mundial do ano que vem. Por que desaprendemos a jogar futebol?.” 

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Além de questionar a eficiência do futebol brasileiro, a crônica citava que o Brasil sofria derrotas para equipes sem expressão mundial, como Austrália, Equador e a própria seleção hondurenha. Para piorar, uma comparação indigna foi feita pela imprensa: a seleção brasileira estava entre as piores do mundo naquele começo de século 21. Ao perder seis jogos oficiais, aparecia atrás de Samoa Americana. Acredite se quiser!

Os deuses do futebol iriam conspirar, no entanto, em favor da seleção um ano depois. Com Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Cafu, Roberto Carlos e outros craques, a equipe brasileira conquistou o pentacampeonato e com uma campanha irrepreensível.  

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