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Thiago Uberreich

Leônidas da Silva ‘profetizou’ que a seleção perderia a Copa de 1950

O jogador, artilheiro do mundial de 1938, não se dava bem com o técnico Flávio Costa

Thiago Uberreich

Reprodução
Leônidas da Silva faria 103 anos nesta terça. Ninguém fez tantos gols de bicicleta quanto ele Reprodução

Leônidas da Silva (1913-2004), artilheiro do mundial de 1938 e um dos grandes jogadores antes da Era Pelé, já era veterano em 1949, quando a seleção disputou o Sul-Americano dentro de casa. Convocado pelo técnico Flávio Costa, o jogador estava na reta final da carreira, mas ainda tinha esperanças em disputar a Copa de 1950. 

Entretanto, uma das grandes polêmicas daquele período foi o corte de Leônidas da Silva. A dispensa foi explorada à exaustão pelos jornais. “Logo depois do treino de hoje, dia 16 de março [de 1949], soubemos que o médico Pais Barreto declarou não estar Leônidas em condições físicas para participar dos jogos da seleção nacional [no Sul-Americano]. Entretanto, Paes Barreto deixará ao cargo do técnico Flávio Costa o aproveitamento ou não do famoso centroavante”, informou o Estadão. O Mundo Esportivo especulou: “(…) Leônidas foi convocado para os treinos preparatórios. Apresentou-se, porém, na concentração de Poços de Caldas em lastimável estado físico, em virtude de profunda ferida em uma das pernas. (…).” O jogador enviou à CBD (atual CBF) um relatório médico que recomendava a ele repouso de 20 dias. Ainda haveria tempo para a estreia no Sul-americano. Entretanto, irredutível, Flávio Costa cortou o atleta.

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O craque deixou a seleção e não poupou críticas ao treinador. Afirmou que o corte foi premeditado e fez uma profecia sobre o futuro da equipe nacional: “(…) Flávio [Costa] é um grande mal…dificilmente ganharemos o torneio Mundial com ele. Essa é a consequência imediata e mais desastrosa, sendo possível prever outras mais graves, como seja o desânimo que a perda do título provocará nos brasileiros.” Em outra declaração, foi taxativo: “Com Flávio Costa, o Brasil ganhará o Sul-americano, mas perderá fatalmente a Copa do Mundo.”

Foi justamente o que aconteceu. Sem Leônidas, a seleção brasileira conquistou o Sul-Americano de 1949, mas amargou a derrota para o Uruguai, no Maracanã, em 16 de julho de 1950, na partida decisiva da Copa.

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