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Thiago Uberreich

Paulo Machado de Carvalho decidiu que a seleção jogaria de azul na final da Copa de 1958, na Suécia

Apesar do Brasil ter perdido o sorteio da camisa para a Suécia, o dirigente aproveitou o momento para dar um 'golpe psicológico' nos jogadores

Thiago Uberreich

Da esquerda para a direita, Djalma Santos, Zagallo, Pelé, Zito e o chefe da delegação brasileira, Paulo Machado de Carvalho, seguram a taça Jules Rimet.
c0032.jpg124501.124601 Arquivo/Estadão Conteúdo

Uma das histórias mais lembradas envolvendo Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação brasileira, se deu entre a semifinal contra a França, em 24 de junho de 1958, e a decisão contra a Suécia, no dia 29. Como as duas seleções usavam camisa amarela, o dirigente esperava que os donos da casa fossem cordiais e abrissem mão do uniforme principal, mas não foi o que aconteceu. Houve a necessidade de um sorteio. O Brasil perdeu e teria de entrar em campo com a camiseta reserva. Mas qual? 

Paulo Machado de Carvalho descartou a possibilidade de voltar a usar a cor branca, que ficou marcada pela derrota na Copa de 1950, em pleno Maracanã. Nem pensar! A ideia foi encomendar às pressas um conjunto de camisas azuis à uma loja de roupas. Inúmeras fontes indicam que esse estabelecimento ficava em Estocolmo. No entanto, é mais provável que as camisas tenham sido compradas em Gotemburgo, pois, quando o resultado do sorteio foi divulgado, a seleção estava na concentração perto da cidade, em Hindas. A delegação só viajou para a capital da Suécia na véspera da final e no período da tarde. Os emblemas da CBD, com a cruz de malta, e os números (na cor amarela) foram costurados à mão pelo roupeiro Assis e pelo massagista Mário Américo. Os calções eram da cor branca. 

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Mas como dar a notícia da perda do sorteio aos jogadores? Aí veio a intuição de Paulo Machado de Carvalho na hora de comunicar os atletas. Com raro senso de oportunidade e uma astúcia ímpar, deu a notícia à equipe da seguinte forma: “Vamos jogar de azul, a cor do manto de Nossa Senhora Aparecida. Nossa Senhora está conosco na final da Copa”. Foi uma comemoração só. Aquele ato perspicaz, se tornou um grande golpe psicológico para deixar a seleção ainda mais confiante. 

Ouça agora em três partes a seguir, os momentos marcantes da primeira conquista brasileira em Copas do Mundo:

 

 

 

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