Superação de Ronaldo para jogar a Copa de 2002 foi sem precedentes no futebol
Ronaldo sofreu a primeira grave lesão da carreira em 21 de novembro de 1999, na goleada da Inter de Milão por 6 a 0 diante do Lecce. Críticas ao gramado do estádio San Siro não faltaram: “A grama não está ótima. Nós temos vários problemas com a grama do San Siro. Se isso mudasse, ajudaria a Inter, porque nós temos vários jogadores de bom toque de bola”, declarou Ronaldo na época.
O atleta teve de ser submetido a uma delicada cirurgia nos tendões do joelho direito. O médico francês Gérard Saillant foi o responsável pela operação. Ronaldo ficaria cinco meses parado e não imaginava que o retorno aos gramados seria ainda mais doloroso. Otimismo não faltava: “Eu estou feliz, relaxado e calmo, e agora nós estamos começando a trabalhar na minha recuperação. Isso é garantia de que retornarei com 100%”.
Entretanto, o pior estava por vir. Ronaldo voltou a campo em 12 de abril de 2000 em uma partida da Inter contra a Lazio, pela Supercopa da Itália. Quem acompanhou o jogo no Estádio Olímpico de Roma jamais se esqueceu daquela cena. Quase sete minutos depois de deixar o banco de reservas, ele tentou o tradicional drible de corpo em um adversário, mas o joelho operado arrebentou, literalmente. Pela imagem, é possível ver a patela sobressaltada, embaixo da pele. Foi uma ruptura do tendão do joelho direito.
O craque desmoronou no gramado e chorou copiosamente. Além da dor, ele temia que nunca mais pudesse voltar a jogar futebol. Na época, veículos de comunicação entrevistaram médicos e especialistas sobre as possibilidades: uns cravaram que Ronaldo jamais retornaria aos campos, outros falavam que, mesmo com muita sorte, as chances seriam remotas. Alguns profissionais diziam que ele corria o risco de nunca mais andar sem muletas!
Os jornais estamparam a imagem do craque caído, desolado. Na capa de O Globo, a seguinte manchete: “Ronaldinho: o medo do fim”. O texto vinha cercado de dúvidas e prognósticos negativos: “A carreira de Ronaldinho corre risco. Ontem, ele jogou apenas seis minutos na partida do Internazionale contra o Lazio, em Roma, antes de cair no gramado, aos berros, sentindo o joelho direito, o mesmo operado há cinco meses. Retirado de maca, chorando, o jogador embarca hoje para Paris, onde será examinado na mesma clínica onde foi operado em novembro”.
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A história da conquista do pentacampeonato é marcada por uma das jornadas de maior superação de um atleta em todos os tempos. Após uma nova cirurgia, em 13 de abril, um dia depois de sofrer a contusão, os meses iniciais de recuperação foram marcados por incertezas e depressão. Afinal, era um jovem de 23 anos com toda vida pela frente. Operado novamente por Gérard Saillant, Ronaldo chegou a buscar uma segunda opinião sobre o retorno aos gramados e foi desenganado por um profissional dos Estados Unidos. De volta à França, Saillant garantiu que o jogador jogaria futebol novamente, mas não sabia se seria o mesmo atleta de alto nível.
O camisa 9 da seleção fez um longo tratamento em uma clínica francesa, sob a supervisão do fisioterapeuta Nilton Petrone, o Filé. Felizmente, a sorte estaria ao lado do atleta e também da seleção brasileira, rumo ao penta. Ronaldo voltou a vestir a camisa amarela no começo de 2002, foi para a Copa na Ásia e se tornou o artilheiro com 8 gols, dois marcados na final contra a Alemanha. Uma história emblemática de superação.
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